Rota: movimentos querem mudança de cultura

27/09/2012

Troca de comando

Rota: movimentos querem mudança de cultura, não só de comando

Militantes da área de direitos humanos acreditam que nada deve mudar no comportamento violento dos policiais das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), com a mudança de comando anunciada, nesta quinta-feira (27/9), pelo governo Alckmin. Com a troca, o tenente-coronel Nivaldo César Restivo, que está na corporação desde 1982, com passagem pelo Comando de Operações Especiais e que atualmente dirigia o 4º Batalhão do Choque, passa o ser o novo comandante, assumindo o lugar do tenente-coronel Salvador Madia, que estava no posto desde novembro e vai comandar o batalhão deixado por Restivo.

O advogado da Pastoral Carcerária e membro da rede Dois de Outubro, Rodolfo Valente, acredita que a troca se deve à proximidade dos 20 anos do massacre do Carandiru, já que Madia participou da invasão ao presídio e responde, junto com outros policiais, por 78 mortes. “O governador está tentando evitar as críticas que virão deste processo dos 20 anos do massacre do Carandiru. Destituir o comandante agora, na semana anterior a uma série de atos e discussões que se darão sobre segurança pública e violência estatal, é um tanto sintomático”, explica Valente.

Quando Madia assumiu o comando da Rota, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi alvo de muitas críticas por parte de organizações de direitos humanos. À época, até o diretor da Anistia Internacional do Brasil, Átila Roque, manifestou sua preocupação com a nomeação, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Para a coordenadora do movimento Mães de Maio e da Rede Nacional de Familiares de Vítimas de Violência Policial Débora Maria da Silva, a troca se define na expressão `seis por meia dúzia`, pois não ataca o problema estrutural da violência. “É preciso mudar a cultura da Polícia Militar, acabar com a lógica de extermínio e opressão. Já foram feitas outras trocas e não se mudou o essencial, a policia inclusive tem ficado cada vez mais violenta”, disse Débora.

Em nota, a Polícia Militar de São Paulo informou que “as mudanças são rotineiras”, sendo que foram realizadas promoções e transferências de 122 oficiais superiores, dentre eles, 75 tenentes coronéis, e não só a de Salvador Madia. A nota informa também que estas mudanças decorrem de promoções ocorridas em agosto e que estão sendo publicadas agora.

Atos

Na próxima semana, os diversos movimentos que compõe a Rede Dois de Outubro realizarão uma série de atos para lembrar o massacre de 111 presos na casa de detenção do Carandiru, em 1992. Entre as ações, estão a marcha do Cordão da Mentira, no dia 29 de setembro; o ato ecumênico na Praça da Sé, centro da capital, no dia 2 de outubro; e a caminhada cultural pela paz e pela liberdade, no Parque da Juventude, onde ficava a casa de detenção, em 6 de outubro.

fonte: Rede Brasil Atual

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