Sabesp admite falta de água três dias após reeleição de Alckmin

08/10/2014

Crise da água

Dilma Pena admitiu “falta de água pontual” à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de São Paulo nesta quarta-feira (8/10)

Três dias após a reeleição do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Dilma Pena, admitiu “falta de água pontual” à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara Municipal de São Paulo nesta quarta-feira (8/10). A comissão investiga queixas de falta de água na capital paulista.

“Não existe racionamento. Existe, sim, falta de água pontual em áreas muito altas, muito longe do reservatórios setoriais que distribuem água e em residências que moram muitas pessoas que têm reservação muito pequena. Nessas situações sim, tem falta de água”, declarou Pena.

Ela usou o conceito técnico para justificar que não há racionamento: “O racionamento é efetivo quando se despressuriza 100% das redes da cidade, com uma área da cidade ficando sem água efetivamente. Isso não acontece no Estado de São Paulo. Toda a área atendida pela Sabesp está com as redes pressurizadas”, garantiu.

Só depois das eleições

Dilma Pena só atendeu à convocação da CPI após as eleições. Ela foi convidada a prestar esclarecimentos à comissão no dia 17 de setembro e não compareceu alegando “questões pessoais”. Ela também se ausentou no interrogatório marcado para o dia 24 do mesmo mês, mesmo mediante a uma intimação. Em ofício enviado à CPI, a dirigente disse ter sido submetida a um procedimento cirúrgico na laringe e ficaria de licença médica até 5 de outubro, dia da eleição.

CPI

A CPI investiga o contrato de prestação de serviço para fornecimento de água entre a Prefeitura de São Paulo e a Sabesp.

Pesquisa do Ibope divulgada no começo de setembro revelou que 38% da população de São Paulo diz ter sofrido com a falta de água em suas casas nos últimos três meses. O percentual chega a 50% na capital paulista.

Tucanos impedem investigação na Assembleia Legislativa

A Bancada do PT na Assembleia Legislativa há meses tenta coletar assinaturas para protocolar pedido de CPI para investigar as perdas de água da Sabesp. No entanto, a base de deputados do governador Geraldo Alckmin não assina o pedido. Para ser protocolado, são necessárias 32 assinaturas de deputados.

A companhia tem um contrato de R$ 400 milhões com Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), executado desde 2009, mas cuja situação continua a mesma: perde-se cerca de 30% da água tratada para a região metropolitana de São Paulo.

O requerimento de pedido da CPI, de autoria do deputado Marcos Martins, descreve também a investigação da contratação de empresas de ex-diretores da Sabesp, que prestam serviço para a companhia, sobretudo em manutenção de redes. (sc)

*com informações do site UOL

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