Sabesp distribui água imprópria

14/01/2010 11:41:00

Contaminação

 

Em Bertioga, relatório feito em 2009 aponta presença de bactéria de esgoto; em outras cidades, análise constatou coliformes totais

Dados são da própria Sabesp de janeiro a novembro de 2009; a água contaminada pode causar doenças do tubo digestivo, diz especialista

A água distribuída pela Sabesp na maior parte do ano passado em Bertioga, no litoral, estava imprópria para consumo humano segundo relatório feito pela própria empresa.

Os dados mostram que a água apresenta coliformes termotolerantes (que apontam que houve contato com o esgoto). O mesmo problema também foi detectado em Praia Grande, mas em menor escala.

O mesmo relatório aponta ainda graves problemas na água distribuída em outras cidades do litoral, com a presença de coliformes totais (oriundos de matéria orgânica): São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Ilhabela e Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá.

Em Bertioga, a presença de coliformes termotolerantes aparece em ao menos 4 dos 11 meses analisados (os dados de dezembro não estão disponíveis). A presença desses coliformes pode ser indicativo de contaminação por algum tipo de bactéria que causa doenças como febre tifoide, febre paratifoide, desinteria e cólera.

A portaria 518/2004 do Ministério da Saúde diz que a água só é potável se não houver presença desse tipo de bactéria.

A água distribuída no Guarujá, onde há um surto de diarreia, atendia aos critérios da pasta pelo menos até novembro, segundo os relatórios da Sabesp.

De acordo com o diretor de Sistemas Regionais da Sabesp, Umberto Cidade, a presença de coliformes termotolerantes nunca foi confirmada nas contraprovas -ou seja, havia erro no primeiro exame. Ele só não explicou por que os erros se concentraram em Bertioga.

Nas outras 11 cidades do litoral atendidas pela Sabesp, só foi constatado esse tipo de bactéria em uma amostra (entre 150) da Praia Grande, em outubro.

A portaria federal também estabelece que é aceitável a presença de coliformes totais em até 5% das amostras.

Em Bertioga, esse índice foi superado em todos os meses. No posto de cloração da Riviera de São Lourenço, o índice só ficou abaixo de 5% em fevereiro.

Também houve detecção de coliformes totais em São Vicente (oito meses), Praia Grande (cinco meses), Mongaguá (quatro), Itanhaém (três), Ubatuba (dois), Ilhabela e Vicente de Carvalho -distrito do Guarujá – , com um mês cada um.

Os coliformes totais são indicadores de que o sistema é vulnerável a outros organismos que podem ser prejudiciais.

Segundo o gastroenterologia da Unifesp Sérgio Domingues, a água contaminada pode causar doenças do tubo digestivo que provocam diarreia ou ainda viroses do tipo hepatite ou rotavírus. No verão, diz, essas doenças aparecem com mais frequência.

O grande número de pessoas e o alto consumo fazem com que a água permaneça menos tempo nas estações de tratamento, em processos como o de sedimentação, por exemplo.

fonte: Folha de S. Paulo – 14/1/2010

 

 

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