São Paulo presta homenagens ao Frei Tito, vítima da ditadura militar

08/08/2014

Resistência à Ditadura

São Paulo presta homenagens ao Frei Tito, vítima da ditadura militar

Neste fim de semana parentes e amigos de Frei Tito de Alencar Lima farão uma série de homenagens, aos 40 anos da morte do religioso, vítima da ditadura militar.
Tito de Alencar Lima foi induzido ao suicídio, na França, devido às torturas sofridas sob a ditadura militar no Brasil, aos 28 anos e participou da Ação Católica, na Ordem Dominicana.

As homenagens serão iniciadas com celebração eucarística, às 19h, na Igreja de São Domingos, em São Paulo, de onde Tito, em companhia de outros frades, foi retirado pelo delegado Fleury, em novembro de 1969, para ser seviciado no DOPS, na véspera da morte de Carlos Marighella.

A Igreja São Domingos, localizada no bairro Perdizes, e que agora recebe a Celebração Eucarística pela memória viva de Tito, foi durante o regime militar um importante local de resistência, sendo ponto de encontro de intelectuais que refletiam e debatiam formas de fazer oposição ao regime, e, em tempos mais duros, funcionou como um centro de acolhimento de militantes clandestinos e até mesmo feridos.

No sábado, a programação começará às 9h30, no Colégio Rainha da Paz, quando o professor de literatura Alfredo Bosi, da Universidade de São Paulo , falará na abertura sobre a importância recordar Frei Tito hoje.

Em seguida, o economista João Pedro Stédile, da direção do MST e da Via Campesina, dividirá com o padre e teólogo José Oscar Beozzo o tema Sentido Histórico da Ditadura civil-militar no Brasil e o papel da Igreja na Resistência Armada.

Depois do almoço, a educadora Mariana Pasqual Marques e o sociólogo Ivo Lesbaupin falarão sobre Educação Popular como Caminho para a Libertação. Lesbaupin, que na época era estudante dominicano, foi preso no episódio da morte de Marighella.

Às 15 horas, Frei Betto, frade e escritor que também foi preso e descreveu as torturas sofridas por Frei Tito em seu livro Batismo de Sangue (Editora Rocco), lembrará o Levante Popular da Juventude, dentro de um debate sobre Socialismo e Lutas Contemporâneas.

As comemorações terminarão às 19 horas, com a Mística de Encerramento. Segundo organizadores, parentes do frade dominicano, na maioria sobrinhos, e amigos virão do Ceará, para participar da Celebração pela Vida e Ressurreição de Frei Tito de Alencar Lima.

Integrantes do Movimento Juvenil Dominicano do Brasil e do Coletivo Frei Tito Vive, Bruno S. Alface e Osvaldo Meca destacam que Tito integrou a resistência que lutou contra a ditadura militar no Brasil, sendo preso, torturado e, posteriormente, em 1974, preferiu ‘morrer do que perder a vida’.(rm)

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