Secretário admite omissão no tratamento de dependentes químicos e pacientes com câncer

08/06/2011 15:32:00

Saúde

 

Em reunião da Comissão de Saúde, o secretário estadual responsável pela pasta, Giovanni Guido Cerri, admitiu os anos de omissão do governo com relação aos dependentes químicos.  Ao expor o plano da secretaria para a área, afirmou: “nós temos um longo caminho a percorrer no tratamento dos doentes mentais e dependentes químicos. Temos que fazer um esforço para recuperar o tempo perdido”.

O secretário também falou sobre a precária estrutura de atendimento a pacientes com câncer no Estado. “Pacientes de Presidente Prudente viajam cerca de 400 km para se tratar”, admitiu o secretário, ao mesmo tempo em que garantiu que a situação irá mudar. Mas a deputada do PT Telma de Souza questionou: “Com 40% dos mamógrafos do Estado com baixa resolução, como ter um plano efetivo de combate ao câncer?”

A situação das santas casas no Estado, a maioria delas deficitária, foi outro tema abordado.  Essas entidades filantrópicas são responsáveis por 50% do atendimento no Estado. O deputado do PT Gerson Bittencourt convidou o secretário para acompanhar uma reunião no dia 28 de junho, às 10h, da Frente Parlamentar que investiga o funcionamento das santas casas, que Bittencourt integra. O deputado disse que a próxima atividade da frente será sugerir melhorias para a inadimplência das santas casas.

Bittencourt também cobrou do secretário aplicação adequada dos recursos da saúde, sem “jogo contábil”; construção de mecanismos efetivos de gestão; agilidade, controle e transparência na distribuição de medicamentos; política de prevenção; e a inclusão dos acidentes de trânsito nas políticas públicas de saúde.

O deputado Edinho Silva sugeriu que o estabelecimento de metas norteie o modelo de remuneração do SUS. “Temos que construir alternativas para respondermos às demandas da sociedade aos problemas na gestão do SUS”, afirmou o deputado do PT.

O deputado ainda questionou o modelo dos AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades). “Penso que é um programa interessante. Mas, hoje, essas unidades fazem uma sobreposição com as estruturas municipais. Seria mais barato e eficiente o governo do Estado fortalecer as estruturas já existentes nos municípios, integrando às ações da rede básica. Ou ainda que os AMEs pudessem ser administrados pelos municípios e integrados aos programas de saúde básica já existentes”, disse.

Sobre os investimentos do Estado na Saúde, a deputada Telma de Souza afirmou que de 2001 a 2010 o governo deixou de aplicar R$ 4,5 bilhões. Apenas entre 2006 e 2007, R$ 2,1 bilhões deixaram de ser investidos.

Salários

A baixa remuneração dos profissionais da Saúde e a falta de um plano de carreira foram levantadas por vários integrantes da Comissão.

De acordo com o SindSaúde-SP, o último reajuste foi em julho de 2008. Os trabalhadores reivindicam um aumento de 26%. Ainda segundo o sindicato, um médico do Estado recebe em média  R$ 1.559,25, bem abaixo dos salários pagos por muitas prefeituras, como a de São Bernardo do Campo. Um médico desse município recebe, em média, R$ 4.862,98.

 

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