Seis meses sem aula de Física e faltam também professores de Matemática e Química

19/08/2010 17:15:00

Escolas estaduais

 

Os estudantes da Escola Estadual João Borges, no Tatuapé, estão há seis meses sem aulas de Física. O problema não é apenas dos alunos da escola localizada na zona leste da capital e sim da maioria dos matriculados no ensino médio, especialmente no 3º ano, que estão próximos ao vestibular e ao Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio.

Os baixos salários do Magistério Paulista tornam a profissão pouco atraente para os recém-formados e as más condições de trabalho provocam o adoecimento dos que estão na ativa. A indústria e outros setores oferecem melhores remunerações para os profissionais de Ciências e Exatas.

Em Matemática, Física e Química, que são as disciplinas com maior déficit de professores, a organização curricular oferece um menor número de aulas em cada turma, o que obriga o professor a assumir de 500 a 1.000 alunos em diversas turmas, para compor a jornada semanal.

Este cenário gera dois outros problemas para alunos e professores das escolas públicas: professores sem a licenciatura específica são escalados para ‘cobrir’ as matérias em déficit, com a difícil tarefa de resgatar todo o conteúdo perdido, e o Estado recorre também aos admitidos em caráter temporário. Entre os 220 mil professores da rede estadual paulista, aproximadamente 80 mil estão nesta condição.

Para especialistas em Educação, o quadro é preocupante. Afinal, como uma parcela significativa dos professores não tem formação específica, não há como saber o que os alunos estão aprendendo e como estão aprendendo.

O Programa Fantástico da TV Globo abriu uma reportagem sobre a falta de professores, na edição de 11 de julho, com uma história que ilustra o problema. Aos 15 anos, o estudante Tiago dos Santos teve que fazer um trabalho de Física, no primeiro ano do ensino médio de uma escola estadual. Sem ter ideia do que seria Física, já que nunca havia tido uma aula da disciplina, recorreu à Internet.

Não há como resolver o problema sem investir nos salários e na formação dos profissionais. “Tem que ter carreira que seja motivadora”, defendeu o presidente do Movimento Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos, na reportagem do Fantástico.

 

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