Sessão solene homenageia extensionistas rurais

07/12/2015

Iniciativa do PT

O trabalho do extensionista rural, profissional que se envolve com o agricultor, levando a ele as políticas públicas e compartilhando os mesmos conflitos, lutas e esperanças, foi o ponto central da sessão solene ocorrida na última sexta-feira, 4/12, sob a presidência do deputado José Zico Prado (PT).

Logo no discurso de abertura, Zico Prado enfatizou que, além de dialogar com a diversidade de conhecimentos que os agricultores familiares carregam há gerações e da tradição de conhecimentos empíricos, os extensionistas desempenham papel fundamental no acesso às políticas de crédito e mercados institucionais.

“No Estado de São Paulo, são aproximadamente 1400 profissionais que se desdobram em condições, por vezes, adversas, para atender a mais de 150 mil unidades familiares que necessitam desse serviço”, disse Zico Prado.

Os demais oradores seguiram a retórica do parlamentar. Lincoln Albuquerque, presidente da Associação dos Funcionários da Fundação Itesp (Afitesp), destacou o fato de esse profissional contribuir não só para o desenvolvimento de um alimento de qualidade, mas também para a preservação do meio ambiente.

“Um produtor rural bem orientado torna-se um grande ambientalista”. Portanto, complementou, “o extensionista precisa que os governos invistam em sua formação, para que possam trabalhar com uma visão agroecológica”.

Abelardo Gonçalves Pinto, presidente da Associação Paulista de Extensão Rural (Apaer), apontou a necessidade de se recompor os quadros de extensionistas rurais, pois, “de nada adiantam políticas públicas, se não houver profissionais para acessá-las”. Nesse sentido, registrou, a Assembleia Legislativa tem o poder de inserir na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a possibilidade de concursos e reposição salarial. Complementou que o extensionista enfrenta o desafio constante de dialogar com os agricultores para que estes possam gerar emprego, renda e ter qualidade de vida no campo.

Coube a Victor Branco de Araújo, presidente da Associação dos Assistentes Agropecuários do Estado de São Paulo (Agroesp), relatar as dificuldades que se apresentam aos extensionistas em sua jornada de atendimento ao agricultor: usando o carro próprio, sem diária para pernoites. Mas, segundo ele, o contato com os agricultores compensa as dificuldades.

A troca de aprendizado e conhecimento entre extensionista e agricultor também foi enfatizada por Ricardo Cerveira, presidente do Instituto Biosistêmico (IBS): “levamos a tecnologia para o agricultor familiar e percebemos uma evolução muito grande; um salto de qualidade na produção e na vida dessas pessoas”, contou.

Desenvolvimento agrário

Reinaldo Prates, delegado regional do Ministério do Desenvolvimento Agrário por São Paulo, referiu-se à retomada ao incentivo do setor agrário, abandonado desde a década de 90. “Além de ampliar a assistência técnica, trouxemos o crédito fundiário que hoje chega a 150 mil unidades de produção familiar”, informou.

Mara Lúcia Ferreira de Melo, prefeita de Araçoiaba da Serra, reforçou a necessidade de assistentes e engenheiros agrícolas “na roça”. Disse que a política de extensão rural sofreu um viés no Estado e “essa realidade não é diferente hoje”, mas reconheceu o esforço da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).

Ao fazer menção à professora Ondalva Serrano, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz e Raimundo Carvalho Palmeira Júnior, atual secretário de Agricultura e Meio Ambiente de sua cidade, Ferreira Melo lembrou que o trabalho dos extensionistas beneficia principalmente a agricultura orgânica e familiar.

Comunidades quilombolas

Edgard Aparecido de Moura, assessor da superintendência do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), acrescentou que os extensionistas atendem também as comunidades quilombolas e enfatizou a necessidade de o governo do Estado fazer parte do grupo que pode tornar São Paulo “a locomotiva de produtos saudáveis e de qualidade”.

Nessa mesma direção, João Carlos Corsini, assistente da diretoria adjunta de Políticas de Desenvolvimento do Instituto de Terras (Itesp), assinalou que essas comunidades necessitam do resgate de cidadania “e esse papel tem sido cumprido pelos extensionistas rurais”.

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