Simão Pedro: Corrupção na CDHU é apenas a ponta do iceberg do governo Serra

15/06/2007 08:00:00

Em entrevista ao jornal A Hora do Povo, o líder do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, Simão Pedro, afirmou que o esquema de corrupção desmontado pelo Ministério Público Estadual na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) “é apenas a ponta do iceberg”. “Isso deve se reproduzir em Bauru, em Mogi das Cruzes, em Campinas, etc, porque é o mesmo esquema operado fortemente dentro do governo. Por isso, mais do que nunca, é preciso a CPI”, disse.

O MP descobriu um esquema de superfaturamento que existia há mais de sete anos da região de Presidente Prudente em obras da CDHU. A denúncia causou o afastamento de Arnaldo Negri – irmão do ex-ministro da Saúde no governo de Fernando Henrique e atual prefeito de Piracicaba, Barjas Negri (PSDB), da autarquia.

CPI

O deputado informou que a bancada petista na Assembléia está fazendo uma série de movimentos para romper o abafamento das investigações pelo governo Serra sobre a enxurrada de denúncias de corrupção que assolam o órgão.

Após indicar os integrantes para a CPI da CDHU que já foi protocolada, os petistas solicitaram ao TCE/SP uma auditoria nos contratos da autarquia referente aos últimos 10 anos e pretendem, se necessário, ingressar com o pedido de mandato de segurança na Justiça para instalar a comissão. A indicação dos deputados é uma a forma de “deixar claro ao presidente da Assembléia, deputado Vaz de Lima, que o PT, representando a minoria dos parlamentares, tem a CPI da CDHU como prioritária em relação a qualquer outra ainda não instalada”, justifica Simão.

“No governo Serra não existe transparência nas gestões dos recursos que vão para a CDHU e para a Sabesp, permitindo que, sorrateiramente, eles continuem operando os esquemas [de corrupção] que vêm desde o Goro Hama [ex-presidente da autarquia e campeão de condenações no TCE], e que passou pelo esquema do Abel Pereira, que faleceu esta semana e que era um empresário ligado ao Barjas Negri. A denúncia sobre o irmão [Arnaldo Negri] do atual prefeito de Piracicaba mostra que os esquemas continuam sendo operados com toda a força dentro da CDHU”, afirmou.

Negri está sendo acusado pelo MP de receber propinas para facilitar a vida da quadrilha. As suspeitas são oriundas de escutas telefônicas feitas com autorização judicial. Em 1999, Arnaldo Negri já havia sido apontado por uma auditoria da CDHU como participante de uma quadrilha que recomercializava unidades habitacionais construídas pelo Estado. Ele foi exonerado em 2001. Dois anos depois, quando seu irmão Barjas assumiu a direção do CDHU, ele foi reconduzido como gestor do Programa Habiteto.

“Está claro que o governo Serra, com sua maioria parlamentar, está impedindo que tenha investigações”, disse o líder, destacando que a bancada já está levantando dados sobre as irregularidades cometidas na CDHU.

“Nós estamos produzindo informações, como por exemplo, estes 400 Projetos de Decretos Legislativos (PDLs) referentes à CDHU que estavam parados na Assembléia, que eram contratos irregulares já julgados e deliberados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e que a assembléia não tomava providências.

Somente estes 400 processos envolvem irregularidades em torno de R$ 2,5 bilhões”. O parlamentar denunciou ainda que o deputado Roberto Engler (PSDB) alterou os pareceres de 41 contratos julgados irregulares pelo TCE e sugeriu o arquivamento.

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