Sindicância vai apurar atuação do procurador Rodrigo de Grandis

03/02/2014

Propinoduto tucano

O ministro Marco Aurélio de Mello, que defende a abertura das investigações do propinoduto tucano, explicou à imprensa no início da tarde desta segunda- feria (3/2) que irá analisar um pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que provas dos autos sejam compartilhadas com uma comissão de sindicância que apura a atuação do procurador Rodrigo de Grandis, do Ministério Público Federal em São Paulo, suspeito de ter atrasado as investigações.

Em novembro de 2013, a Bancada do PT solicitou ao corregedor nacional, Alessandro Tramujas Assad, análise sobre possíveis falhas na condução das denúncias por parte do procurador federal Rodrigo de Grandis nas investigações de pagamento de propina pela multinacional Alstom a agentes públicos e políticos do PSDB no governo de São Paulo.

Em 2008, o Ministério Público da Suíça informou às autoridades brasileiras que havia indícios de que a multinacional francesa Alstom pagou propina a funcionários do governo do Estado de São Paulo para obter contratos nas áreas de energia e transporte. Em fevereiro de 2011, os suíços pediram ao Ministério Público Federal brasileiro que interrogasse quatro suspeitos do caso, analisasse sua movimentação financeira no Brasil e fizesse buscas na casa de um ex-diretor da CPTM, João Roberto Zaniboni.

Segundo o procurador Rodrigo de Grandis, responsável pelas investigações sobre a Alstom no Brasil, o pedido da Suíça foi arquivado numa pasta errada e isso só foi descoberto quase três anos depois, quando as autoridades brasileiras começaram a cobrar explicações sobre os pedidos. Grandis está sendo investigado por duas corregedorias por ter engavetado um pedido de cooperação da Justiça suíça no caso Alstom. Apesar disso, Grandis reassumiu o caso.

“O procurador preconizou que eu abra vista das peças a uma comissão de sindicância instaurada lá na Procuradoria de São Paulo para apurar possível desvio de conduta do procurador da República que atua no caso. Eu vou verificar a problemática do compartilhamento da prova”, disse o ministro Marco Aurélio Mello,.

O ministro ainda voltou a dizer que irá desmembrar a investigação, mantendo no STF somente as autoridades com prerrogativa de foro, como deputados e senadores. O restante será enviado à Justiça de primeira instância.

Segundo Marco Aurélio, a medida será adotada para “evitar o que houve na AP 470 quando todos os envolvidos foram julgados pelo STF. As declarações foram dadas por Marco Aurélio logo após a abertura do ano judiciário no STF.

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