SP: áreas valorizadas são as que mais têm incêndios de favelas

14/09/2012

É preciso investigar

Só neste ano, 33 favelas pegaram fogo na cidade de São Paulo, segundo o Corpo de Bombeiros, número 30% superior ao de todo o ano de 2011. Destes incêndios, nove foram em áreas que aumentaram seus valores no mercado imobiliário. Isso é o que aponta a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).

Por exemplo, a região em que está localizada a favela de São Miguel Paulista, na zona leste, que foi incendiada no final de agosto, teve a maior valorização imobiliária da capital, em apenas dois anos a alta foi de 214%.

Outras comunidades também estão na “mira” do mercado imobiliário. Na favela do Morro do Piolho, no Campo Belo, zona sul, destruída pelo fogo no dia 3 de setembro, o aumento do metro quadrado foi de 117%. Já na área em que está a Vila Prudente, ao lado do Sacomã, na zona leste, a valorização foi de 149%.

A pesquisa da FIPE também revela que as áreas que possuem mais favelas são as que têm menos incêndios. Somando as últimas nove ocorrências de incêndios em favelas (São Miguel, Alba, Buraco Quente, Piolho, Paraisópolis, Vila Prudente, Humaitá, Areão e Presidente Wilson), chega-se ao fato de que elas aconteceram em regiões que concentram apenas 7,28% das favelas da cidade.

Em uma área em que se encontram 114 favelas de São Paulo, houve nove incêndios em menos de um ano, enquanto que em uma área em que se encontram 330 favelas não houve nenhum. É o caso da zona sul paulistana, onde nos distritos do Capão Redondo (com 93 favelas), Grajaú (com 73), Jardim Ângela (com 85) e Campo Limpo (com 79) não houve nenhum incêndio. Essas áreas aglomeram mais de 21% das favelas da capital e são as mais desvalorizadas pelo mercado imobiliário.

Atualmente, São Paulo possui 1.565 favelas, segundo dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU).

Investigação

No último dia 7, o prefeito da capital, Gilberto Kassab, afirmou que há chances de que o incêndio na Favela Sônia Ribeiro, ocorrido em 3 de setembro, no bairro nobre do Campo Belo, tenha sido intencional. “Lá existe até a suspeita de que o incêndio possa ter sido provocado, como, aliás, foi identificado em outros casos”, disse.

O deputado Simão Pedro, na última semana, ocupou a Tribuna na Assembleia Legislativa e afirmou que para que não permaneça qualquer dúvida sobre as causas dos incêndios das favelas é preciso uma investigação séria. “Isso tudo que vem acontecendo precisa ser apurado em uma ação conjunta da prefeitura e do governo do Estado”, enfatizou o parlamentar petista.

O Ministério Público de São Paulo investiga se as causas dessas tragédias têm relação com o interesse do setor privado ou público em construir nas áreas de entorno das favelas.
Em março deste ano, a Câmara Municipal criou uma CPI para investigar a intensa frequência dos incêndios. A CPI deve seguir com os trabalhos até 31 de dezembro deste ano, quando termina a legislatura atual.

Falta de prevenção é outro problema

Um projeto implantado durante a gestão da ex-prefeita Marta Suplicy na cidade de São Paulo conseguiu, nos seus dois anos de atividade, controlar todos os focos de fogo em favelas antes que se tornassem grandes incêndios. A ideia se mostrou tão eficiente como simples: equipar algumas casas com extintores e treinar moradores para acabar com as chamas antes que se propagassem para moradias vizinhas.

Apesar do custo reduzido e do sucesso nas ações, ele foi extinto pelo ex-prefeito José Serra (PSDB) em 2005, quando assumiu a prefeitura. Sucessor do tucano, o atual prefeito Gilberto Kassab (PSD) teve a chance de reativar o trabalho depois que um projeto de lei foi aprovado pela Câmara Municipal em 2009, mas não tocou a ideia adiante.

*com informações da Rádio Agência, Brasil 247, Rede Brasil Atual e PT Alesp

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