Sustentabilidade: o desenvolvimento não se espera, se faz

15/03/2012

Seminário

Crédito: Cesar Ogata

A sustentabilidade, que é uma das principais marcas do Modo Petista de Governar, foi tema debatido, nesta quinta-feira (15/3), no seminário do PT que acontece na Assembleia Legislativa de São Paulo. A mesa foi mediada pelo deputado Hamilton Pereira e contou a participação, como debatedores, dos prefeitos Chico Brito (Embu das Artes); Guarulhos (Sebastião Almeida) eAugusto Pereira (Santo Antonio do Pinhal); e como convidado Ladislau Dowbor, professor da PUC-SP.

Desenvolvimento do turismo

O primeiro prefeito convidado a falar sobre sua experiência foi Augusto Pereira (Santo Antonio do Pinhal), que explicou como alavancou o potencial turístico do seu município e tornou esta atividade o principal setor da economia local.

Diante da realidade encontrada, com 90% da cidade em Área de Proteção Permanente (APP) e uma paisagem deslumbrante, a exploração do turismo parecia algo natural, mas não era assim que as administrações anteriores de Santo Antonio do Pinhal agiam. Há quinze anos havia apenas duas pousadas no município, hoje são 88.

Pereira explicou que o desafio foi fazer com a cidade enxergasse o seu potencial, “sensibilizando a população que o turismo traz recursos, que ele é a nossa indústria”. Para isso, o governo do petista chamou a sociedade civil para o diálogo e criou uma sinergia de atuação, com a criação do Conselho Municipal de Turismo.

“Uma das ações previstas para conscientização da população de que a nossa indústria estava ali, que era só preciso organizar e fomentar, foi a partir das crianças do ensino fundamental, com a introdução na grade curricular da disciplina Turismo. As crianças passaram a levar esse conhecimento para casa, para os seus pais”, ressaltou o prefeito.

Diversas ações foram executadas, como a revitalização dos pontos turísticos, organização de um consórcio para desenvolver o turismo regional, capacitação de mão-de-obra e parceria com empresas.

Segundo Pereira, hoje Santo Antonio do Pinhal é outra cidade. “Sem perder nossas origens, é preciso buscar a tendência local e agir de acordo. Desta forma, se consegue o desenvolvimento econômico e sustentável”, completou o prefeito.

Incubadora de cooperativas

A experiência da incubadora de cooperativas de Embu das Artes foi apresentada pelo prefeito Chico Brito como exemplo de inclusão social. “É uma prática de economia solidária, que nada mais é do que outra forma de organizar pessoas para desenvolver uma atividade econômica”, define Brito.

Ele explicou Embu das Artes é uma cidade de 244 mil habitantes, que até 2001, antes das administrações petistas, que teve início com Geraldo Cruz (atual deputado estadual), era considerada uma das cidades mais violentas do país e que não tinha nenhum programa de inclusão estruturado.
O primeiro passo foi identificar as pessoas que iam buscar benefícios na prefeitura, como cesta básica, por exemplo. Foi verificado que muitas destas pessoas tinham habilidades (costura, pedreiro, etc), mas não tinham oportunidades de emprego.

Foram criados cursos profissionalizantes e capacitação de gestão e, em 2002, foi formada a incubadora. “Trabalhamos o conceito de que juntos se pode trabalhar melhor, ganhar mais e vencer as dificuldades”, ressalta o prefeito.

Hoje, o município tem 13 cooperativas, com 900 beneficiados, e estas cooperativas disputam e já ganharam várias licitações no município, como são os casos do transporte escolar e gerenciamento do Restaurante Popular.

Brito enfatizou também que a sustentabilidade se pauta pelos conceitos de preservação ambiental, desenvolvimento econômico e justiça social.

Fazendo uma Guarulhos sustentável

“A gente só disputa uma eleição se a nossa gestão vai tornar a vida das pessoas melhores.” Como este pensamento, o prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida, tem buscado agir em sua administração e o fio condutor tem sido a questão do meio ambiente e da sustentabilidade.

A cidade saiu de 0% de tratamento de esgoto para 35%. Foram obras de estações de tratamento de esgoto, somadas a pequenas ações que melhoram a vida do cidadão, como a recuperação de áreas verdes, ciclovias e os descontos no IPTU para o cidadão que planta uma árvores no seu quintal ou que deixa um pedaço de terra, sem fazer a impermeabilização. “Está na hora de começarmos a fazer igual nossos pais faziam: deixar um espaço no quintal com terra para plantar algumas coisas. Isso faz muita falta. As enchentes estão cada vez piores. Mudar a cidade também depende de cada um”, defendeu.

Segundo Almeida, “para governar não precisa complicar, precisa de coisas simples, mas que mudam a realidade da cidade”.

Dentro dessa busca pelo desenvolvimento sustentável, Almeida explicou que é fundamental a prefeitura dar o exemplo em obras e ações para ter credibilidade quando cobrar o mesmo do empresariado. Neste sentido, ele exemplificou com a primeira obra pública sustentável que a prefeitura de Guarulhos constrói na cidade. “É uma obra, entre tantas outras características, que não tem, por exemplo, a produção de entulho”, explicou Almeida.

Formas inteligentes de gestão

O professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor, defende que é necessário evoluir as arquiteturas, transformando-as em formas organizadas e inteligentes de gestão. “Incluir a classe mais baixa da sociedade rende pra todo mundo. A política social e a ambiental são inteligentes. É necessário entender que a unidade territorial passa a ser uma unidade básica de construção. Um país não funciona se cada bloco não estiver articulado”.

Segundo o professor, “o desenvolvimento não se espera se faz” e seu objetivo é qualidade de vida. “Isso tem que ser feito cidade por cidade, porque é no local que a gente pode transformar e transformar o problema em potencial para solucionar”, defendeu.

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