Testemunhos do caso Abi-Eçab serão coletados nesta quinta-feira

15/05/2013

Comissão da Verdade

A Comissão da Verdade Estadual, presidida pelo deputado Adriano Diogo, realiza audiência pública, nesta quinta-feira (16/5) para coleta de testemunhos sobre o caso do ex-soldado do Exército Valdemar Martins de Oliveira que relata ser testemunha da prisão, tortura e execução do casal Catarina Helena Abi-Eçab e João Antônio Santos Abi-Eçab em novembro de 1968.

A audiência será realizada às 14 horas, no Auditório Teotônio Vilela, 1º andar – Assembleia Legislativa de SP (Avenida Pedro Álvares de Cabral, 201 – Ibirapuera – São Paulo – SP)

*A atividade terá transmissão ao vivo pela internet. Acesse o link www.al.sp.gov.br/a-assembleia/tv-web* e escolha no box o Auditório onde ela está sendo realizada.

Censura e tortura: dois lados de uma mesma moeda

Na terça-feira (14/5), a Comissão estadual da Verdade ouviu o relato de dois ex-presos políticos. Nádia Lúcia Nascimento, que veio de Niterói, narrou seu sofrimento nas mãos dos torturadores da Operação Bandeirantes (Oban) e do DOI-Codi. Idibal Piveta contou sobre suas prisões e atuação como advogado de presos políticos.

Nádia Lúcia Nascimento pertencia ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e veio do Rio de Janeiro para São Paulo com o objetivo de escapar das perseguições que aconteciam no seu estado natal. Inseriu-se na vida regular, mas colaborando com o MR-8. Descoberta, foi presa em abril de 1974 e levada para os órgãos de repressão. Na época, já passava pelo sofrimento de ter seu companheiro preso e torturado.

Na prisão também foi vítima de torturas e ameaças de estupro e teve um aborto provocado pelos maus-tratos e a aplicação de injeções pela equipe chefiada pelo capitão Ubirajara. Nádia se emocionou ao recordar esses dias de “inferno” e o esforço para preservar os companheiros que ainda estavam em liberdade.

Censura

Idibal Pivetta sempre teve atuação voltada para a organização popular e liberdade de expressão. Seu grupo de teatro União e Olho Vivo ainda hoje é referência no teatro com mensagens políticas e de organização popular.

O teatrólogo contou que para driblar a censura foi obrigado a assinar seus textos com um pseudônimo: César Vieira. Depois que os censores descobriram a artimanha passou a ter a integralidade de seus textos proibidos ou mutilados. Segundo Idibal, 732 textos foram censurados no país.

Defendeu mais de 1.200 presos políticos, muitos dos quais estudantes presos em Ibiúna durante o congresso da União Nacional de Estudantes, em 1968. Munido de uma pequena máquina de escrever portátil, que ficava no porta-malas de seu carro, ele redigia petições assim que era notificado da prisão de alguém. Imediatamente, entregava essas petições ao comando militar, na sede do DOI-Codi, enviava para Anistia Internacional e para a imprensa. Segundo ele, era uma tentativa de preservar a vida dos militantes que eram capturados pela repressão.

Pivetta, como vários advogados que atuaram a favor da preservação da vida e da dignidade dos presos políticos, era vigiado, tinha seus telefones grampeados e por várias vezes foi ameaçado e preso.

Ao encerrar seu depoimento, o teatrólogo fez uma especial referência a todos os advogados que atuaram naquele “período cinzento” e continuam atuando a favor dos direitos humanos. Ele fez críticas à manutenção de estruturas que conservam, segundo ele, ranços deste período de repressão, como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Ao final da reunião da comissão, foi lida uma carta assinada por Edival Nunes Cajá, Amaro Luiz de Carvalho e Dom Helder Câmara em agradecimento à atuação de Pivetta durante a prisão de Cajá e Amaro.

fonte: Agência Alesp

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