Tornar o PT mais forte

29/03/2017

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Sem conhecer a realidade de cada região, sem plantar uma semente em cada canto, sem incorporar as diferentes demandas e sentimentos do povo do interior o PT dificilmente conseguirá ser uma alternativa real de poder em São Paulo.

É verdade que vivemos tempos difíceis. Os avanços dos últimos 13 anos e até mesmo o pacto democrático constituído a partir da Constituição de 1988 estão sendo desmontados. O golpe apenas começou com a derrubada da presidenta Dilma. A cada dia que passa as forças conservadoras aceleram a implementação de medidas neoliberais, antinacionais, contra os direitos sociais, previdenciários e trabalhistas.

Nosso PT é vítima de uma perseguição implacável. Uma aliança perversa entre o PSDB, parte da imprensa, do Ministério Público e do Judiciário trabalha incansavelmente para destruir o Partido. O objetivo deles é criminalizar e anular Lula, tirando da política o maior líder popular da história brasileira.

Como deputada estadual, tenho percorrido todo o interior de São Paulo, converso todos os dias com militantes do partido e dos movimentos sociais, com dirigentes, vereadores e lideranças.

Se por um lado há certa perplexidade e pessimismo, por outro lado, chama atenção o compromisso profundo com a reconstrução do PT e com a retomada da luta por transformações sociais.

Os desafios da esquerda, dos movimentos sociais e do PT são muito maiores depois do golpe neoliberal. O processo de Congresso do Partido e da renovação das nossas direções se constitui em um momento rico de debates abertos e fraternos, tendo como norte a construção da unidade. É a hora de prepararmos o PT para um novo período histórico.

Acredito que algumas questões estão na ordem do dia e precisam ser enfrentadas nessa jornada de reconstrução partidária:

– Mais Mulheres: historicamente somos um Partido da luta e organização das mulheres. Em 1991, aprovamos a cota de 30% de mulheres nas direções e em 2011 foi instituída a paridade de gênero. Contudo, as mulheres continuam fora dos principais espaços e cargos de mando. No universo do PT somos minoria nos executivos e nos parlamentos. A mulherada que está nas bases segue distante da estrutura do Partido, principalmente as mulheres negras, jovens, as lésbicas e trans, as mulheres da periferia, do interior e do campo.

– Mais Jovens: talvez a maioria da juventude que hoje se organiza ou luta por alguma causa não tem o PT como referência. Pior: nos vê como um Partido fechado, burocratizado, sócio do “sistema”. Tenho encontrado uma galera muito curiosa, muito disposta, querendo fazer a diferença. Não são antipetistas, mas não têm referências ou contato com o PT combativo, socialista. Sem pautar de verdade o tema da juventude vai ficar difícil pensar nosso partido como ferramenta de luta de médio e longo prazo.

– Mais Participação: só acredito em democracia com a mais profunda participação popular. Foi por isso que sempre me dediquei a essa causa, desde os tempos em que coordenei o Orçamento Participativo na primeira gestão petista em Araraquara. Renovar o PT é abrir, incorporar, escutar, criar novos mecanismos de interação, organização. Precisamos ser mais horizontais, ouvir mais, dialogar mais. Também é o momento de girarmos nossas ações: priorizar o movimento social e a luta direta nas ruas. Em meu mandato tenho investido na elaboração de políticas com o movimento de habitação, da reforma agrária, dos direitos humanos, da criança e adolescente, das mulheres e da população LGBT. Fortalecer a Frente Brasil Popular e as lutas sociais pode ser um caminho concreto para revigorar o PT.

– Prioridade para o Interior: minhas raízes políticas estão em Araraquara e região. Eleita deputada, apostei em espalhar a mensagem do PT em todo o Estado. Visitei 100 cidades nos meus dois primeiros anos de mandato. Menciono esse fato com um único propósito: ganhar o conjunto do Partido para o compromisso de priorizar nosso enraizamento em cada cidade de São Paulo. Sem conhecer a realidade de cada região, sem plantar uma semente em cada canto, sem incorporar as diferentes demandas e sentimentos do povo do interior o PT dificilmente conseguirá ser uma alternativa real de poder em São Paulo.

Enfrentar a onda conservadora, impedir o desmonte dos direitos sociais, defender a democracia e partir para ofensiva política vai exigir muita humildade, muita reflexão e muita unidade entre a gente.

Defendo que o PT lance Lula presidente para alavancar um processo de mobilização e resistência. Mesmo sabendo que os golpistas farão de tudo para impedir que Lula seja candidato para as eleições de 2018.

O PT-SP tem enorme responsabilidade. Aqui, a unidade partidária (garantindo o amplo debate) pode ser a alavanca para as mudanças e fortalecimento do Partido mais oxigenado e plural.

Acredito na força da nossa militância. Vamos, juntos, apostar em um PT forte no interior, com a juventude, com as mulheres, colado nos movimentos sociais: juntos para impedir a retirada de direitos e resgatar a democracia.

Márcia Lia
Deputada estadual

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