Trabalhadores da Fundação Casa ameaçam greve

03/04/2014

A partir do dia 10

Trabalhadores da Fundação Casa ameaçam entrar em greve a partir do dia 10

Servidores pedem 53,63% de reajuste e denunciam descaso do governo estadual com recuperação de jovens. Entidade oferece 3,97% para salários e benefícios e 2,2% por valorização

Trabalhadores da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa) ameaçam entrar em greve, por tempo indeterminado, a partir da quinta-feira da semana que vem (10/4). Nesta sexta (4/4), às 10h, ocorre uma negociação entre os representantes da Secretaria de Planejamento e do sindicato da categoria com a presidente da instituição, Berenice Maria Giannella.

Nesta quarta-feira (2/4), agentes socioeducativos, enfermeiros, psicólogos, pedagogos, professores, entre outros servidores que atuam na Fundação Casa, saíram em passeata do vão livre do Masp, na avenida Paulista, até a Secretaria da Justiça, no Pátio do Colégio, centro, para denunciar à população as más condições de trabalho e o descaso do governo do estado com a recuperação de jovens internos em unidades superlotadas.

Passados 50 dias da entrega da pauta de reivindicações (3 de março), a diretoria da entidade ofereceu reajuste de 3,97% para reposição da inflação, valendo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fipe, e 2,2% a título de valorização. Os servidores pedem 53,63%. O índice é composto pelos percentuais de 5% para aumento real, 7,2% para reposição da inflação no período, 8,43% para recomposição de perdas acumuladas entre 2002 a 2013, segundo estudo realizado pelo Dieese, 3% para pagamento a título de produtividade e 30% para compensar o reajuste no plano de saúde.

“A proposta é uma provocação para a categoria. Sem contar que a troca do nosso plano de saúde (da Intermédica para a Amil) prejudicou muitos trabalhadores, pois há muitos locais do interior que não atendem o novo. Estamos pagando caro por uma assistência médica que não podemos usar”, disse o presidente do sindicato, Aldo Damião Antonio.

A Fundação Casa é vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, com a missão de aplicar medidas socioeducativas de acordo com as diretrizes e normas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase). Para os trabalhadores a fundação “é um modelo carcerário onde as medidas socioeducativas não estão ressocializando”, afirma Antonio.

Segundo a assessoria de imprensa da Fundação Casa (que estava presente na manifestação dos servidores desta manhã), a instituição “lembra que a execução das medidas socioeducativas de sua responsabilidade (atendimento inicial, internação provisória, internação, semiliberdade) é de prestação de serviços continuada (24 horas), de forma que os jovens não podem ser prejudicados por decisão sindical”, em caso de greve.

Com data-base em 1º de março, os trabalhadores pedem em caráter de urgência melhores condições de trabalho e mais contratações. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança e Adolescente (Sintraemfa), atualmente existem cerca de 13 mil trabalhadores, divididos nas 178 unidades da fundação, em todo o estado. Segundo a entidade, seria necessário 40% a mais de trabalhadores para que fosse garantido o mínimo de segurança.

“Cada funcionário é responsável por cerca de dez adolescentes, mas tem unidades com 120 internos e cinco trabalhadores, ou com 90 menores e dois agentes. Como é que você vai controlar um tumulto em um lugar assim?”, pergunta o agente de pátio, função responsável pela segurança nas unidades, que preferiu não se identificar, com medo de sofrer represálias.

O assédio moral também é uma prática existente em todas as unidades, o que também leva a afastamento por doenças psicológicas ou psiquiátricas. “Ou nós compactuamos com os diretores ou com aqueles que praticam os maus tratos, e aí fica muito difícil ver o cumprimento das medidas sócio educativas, porque a Fundação Casa é um `clube de amigos`. Isso é muito sério, há um grave problema de gestão ali e quando denunciamos os maus tratos somos perseguidos, sofremos assédio moral, não recebemos promoções, e por aí vai”, afirma uma servidora que trabalha como agente educacional eque também não quis se identificar.

“Aqui é lugar para a gente recuperar gente. Queremos devolver à sociedade um adolescente, em conflito com a lei, recuperado. Queremos condições de trabalho para isso para que um dia essa fundação funcione para isso”, conclui Antonio.

fonte: Rede Brasil Atual

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