Trabalhadores das Universidades Estaduais em greve fazem manifestação em SP

03/09/2014

90 dias de greve

Trabalhadores das Universidades Estaduais em greve fazem manifestação em SP

Funcionários e professores da USP, Unicamp e Unesp, em greve desde o dia 27 de maio, fizeram na tarde desta quarta- feria, 03/9, manifestação no centro da cidade de São Paulo.
No dia anterior, o Conselho Universitário da USP decidiu propor reajuste salarial de 5,2% para os grevistas, que reivindicam 9,78%. Após se reunir na Paulista, o grupo deverá seguir até o Cruesp (conselho de reitores da USP, Unicamp e Unesp) para saber se a proposta será estendida também para a Unicamp e Unesp.

Somente depois dessa reunião, que contará com a presença dos reitores, os grevistas farão uma assembleia para decidir se aceitam ou não a proposta.
“Cem dias sem dinheiro,cem dias sem sossego, cem dias sem arrego. Fora Zago”, gritam os manifestantes contrários a administração do atual reitor, Marco Antonio Zago.

Magno de Carvalho, diretor do Sintusp (sindicato dos servidores), classificou o valor como “decepcionante” e disse que espera decisão mais favorável da Justiça do Trabalho. Na sexta-feira (5), haverá uma audiência de conciliação no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) para discutir os rumos da paralisação.

Demissão Voluntária

Na terça-feira, a USP aprovou um PDV (plano de demissões voluntárias), como forma de atenuar uma de suas mais graves crises financeiras. O programa de demissões tem o objetivo de conter os gastos que, só com a folha de pagamento, chegam a 106% do orçamento da universidade.

O PDV abrange funcionários não docentes, preferencialmente com idade entre 55 e 67 anos e mais de 20 anos de carreira. Eles terão indenização de um salário por ano trabalhado (até o limite de 20 anos ou R$ 400 mil). As demissões ocorrerão de janeiro a março do próximo ano.

A USP investirá R$ 400 milhões no programa. O valor virá das reservas financeiras, em queda por causa do gasto com salários. A expectativa é que o plano traga economia de 6,5% a 7,5% na folha de pagamento a partir de 2016.

A aprovação do plano de demissões voluntárias dividiu alunos e professores da USP e foi considerada um “revés” e um “irresponsabilidade” por entidades de funcionários.
Magno de Carvalho, do Sintusp (sindicato de trabalhadores da USP), classifica a medida como um “revés” e afirma que o corte “levará a universidade ao caos”. “Temos setores que trabalham no limite de funcionários.”

Francisco Miraglia, da Adusp (associação dos docentes), diz que a universidade não é uma empresa. “Temos técnicos centrais em laboratórios, por exemplo. Se demitir, como a reitoria vai fazer? vai fechar?” “É uma irresponsabilidade”, diz Paulo Rizzo, presidente do Andes (sindicato nacional dos docentes de ensino superior). Para ele, a medida deve aumentar o número de funcionários terceirizados. Mesma preocupação tem a estudante de letras Isadora Szklo, 22, do Diretório Central dos Estudantes. “
(com informações do Jornal Folha de S. Paulo)

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