Trabalho escravo no McDonalds

09/11/2011

Denúncia

McDonalds é denunciado por exploração de trabalho escravo

Aberta com a apresentação de um vídeo com depoimentos de jovens trabalhadores vítimas de exploração de mão de obra em situação análoga ao trabalho escravo, praticadas pela multinacional McDonalds, a audiência pública ocorrida em 9/11, promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa paulista, foi permeada por comoção e indignação dos participantes conforme eram apresentados documentos e depoimentos das vítimas.

Os depoimentos no documentário mostravam como os jovens são arregimentados pela empresa, que se apresenta aos candidatos como uma das campeãs na oferta do primeiro emprego e meio de inseri-los no mercado de trabalho. Sob o argumento de ter horário flexível o McDonalds institui a jornada móvel e variável, o que o Sindicato dos Trabalhadores de Hoteis, Apart, Bares, Restaurantes, Lanchonetes e Similares chama de “jornada criminosa”.

Segundo o Sindicato, esta jornada, adotada desde 1995, obriga os jovens a ficarem disponíveis nas lojas do McDonalds em turnos alterados frequentemente e, no entanto, são remunerados apenas pelas horas trabalhadas no atendimento ao consumidor. Enquanto não estão atendendo, os jovens são entretidos numa sala onde há televisão e acesso à internet. Esta situação faz com que muitos dos trabalhadores recebam ao final de um mês de trabalho valores em torno de R$ 230,00.

Segundo Pedro Parisi, diretor de relações públicas governamentais, o McDonalds tem feito acordos com o Ministério Público Federal do Trabalho. Indagado pelo deputado José Candido de como é possível eles praticarem o pagamento de valores menores do que o estabelecido pelo Constituição brasileira, já que o salário mínimo é de R$ 545,00, o diretor teve postura evasiva e afirmou que faria apuração das denúncias apresentadas.

Adolescentes falam sobre suas experiências

Adolescentes presentes na reunião revelaram, de maneira muito emocionada, as situações humilhantes e degradantes que viveram enquanto eram funcionários do Mc Donalds.

Ângela Carla, que trabalhou na empresa de 2007 a 2011, falou com a voz embargada sobre seu primeiro dia de trabalho que, segundo ela, foi o mais humilhante de toda sua vida. “Fui chamada de burra e de pobre porque nunca havia comido um lanche do Mc Donalds”.

Caio César também relatou que foi por diversas vezes humilhado e até mesmo agredido fisicamente por sua gerente, que insistia em afirmar que ele não era capaz de servir um lanche.

O rapaz, que ainda sofreu um acidente de trabalho (caiu na chapa) e não foi socorrido, revelou que o Mc Donalds paga para que os funcionários falem bem da empresa em questionários que são usados para formar o ranking das melhores empresas para se trabalhar. O Mc Donalds aparece entre as primeiras posições. Outros adolescentes afirmaram que funcionários são coagidos pela gerência para responderem de maneira positiva ao questionário.

Outro grande problema enfrentado pelos jovens é a alimentação. Comem o mesmo lanche todos os dias. Kênia Costa disse que sofreu uma intoxicação alimentar provocada pela comida oferecida e revelou que o Mc Donalds comercializa alimento vencido.

As horas extras não recebidas, as longas jornadas de trabalho e pagamentos abaixo do salário mínimo foram relatados por outros jovens. Uma menina de 14 anos, com o rosto coberto e que se identificou como Mônica, afirmou que os aprendizes cumprem jornada à noite e são responsáveis por todas as tarefas das lojas, o que é ilegal.

O estudante de Direito Christian contou que, aos 16 anos, trabalhou no Mc Donalds e que, um dia, presenciou um gerente chamando um funcionário de “preto, gordo e incompetente” porque este havia derrubado três hambúrgueres no chão.

Apesar de tantos depoimentos, os representantes do Mc Donalds não se pronunciaram. Limitaram-se a dizer que apurariam as denúncias.

O presidente da Comissão, deputado Adriano Diogo, foi enfático: “Se fosse uma CPI, os senhores não estariam nos enrolando com tanta desfaçatez”.

Um pedido de CPI para investigar o trabalho escravo já foi protocolado. A proposta de CPI do deputado Carlos Bezerra conta com o apoio de 42 parlamentares, mas atualmente o regimento da Assembleia paulista estabelece que só pode haver simultaneamente cinco CPIs em atividade. No caso da investigação do trabalho escravo no Estado, conforme a regra atual, seria apenas o 16º item da fila.
O pedido da sexta CPI está previsto no regimento, em caso de urgência, mas os governistas não querem abrir precedente.

A Bancada do PT tem pressionado a base do governo para que a CPI do Trabalho Escravo seja instaurada.

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