Tucanos deixam de investir na CPTM e usuários sofrem com falhas, atrasos e superlotação

02/09/2010 14:53:00

Abandono

 

A malha ferroviária do Estado de São Paulo hoje é sinônimo de superlotação, atrasos e falta de modernização. Consequência dos baixos investimentos dos governos tucanos no transporte sobre trilhos.

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) possui uma malha centenária, que abrange a região Metropolitana de São Paulo. Ela opera seis linhas, com 270 Km e 89 estações. A rede é responsável por 10% das viagens metropolitanas.

Os investimentos abaixo da média não acompanham o crescente número de usuários da CPTM, que quase triplicou na última década. Em 1999, os trens transportavam cerca de 770 mil passageiros por dia. Atualmente, são aproximadamente 2,2 milhões de passageiros que literalmente brigam por um espaço.

A linha 11 – Coral (Luz/Estudantes), nos horários de pico, transporta mais de 10 passageiros por metro quadrado, enquanto o padrão mundial é de quatro pessoas por metro quadrado.

A maior parte dos 115 trens é antiquada, alguns com 50 anos. Na Linha 8 – Diamante (Júlio Prestes –Itapevi) os trens não são reformados desde 1979. A acessibilidade é precária. Algumas estações da CPTM são centenárias, construídas no século XIX e início do XX. Elas precisam de elevadores, escadas rolantes, rampas e todos os equipamentos para que pessoas com deficiências possam utilizá-las. Por legislação federal, o prazo para adequação do sistema metroviário e ferroviário termina em 2014.

O governo estadual não parece muito preocupado com isso, pois tem orçado quantias pequenas diante das necessidades e deixa de executar a maior parte do que foi previsto. No governo de Geraldo Alckmin, os gastos com adaptações foram 19,09% inferiores ao orçado entre 2003 e 2006. No governo de José Serra, 22% deixaram de ser investidos em adaptação para acessibilidade entre 2007 e 2009, o equivalente a aproximadamente R$ 10 milhões.

CPTM parou no tempo

O Plano de Expansão prometido pelos tucanos para o final de 2010 só existe na propaganda. Na prática, a CPTM parou no tempo. Durante o governo Alckmin, o valor orçado para investimentos (obras e compra de equipamentos permanentes, como novos trens) foi de R$ 1,16 bilhão. Mas só R$ 1,02 bilhão foram realmente aplicados. Ou seja, R$ 140 milhões (-12%) deixaram de ser investidos.

Novos projetos também pararam no governo Alckmin. No orçamento da CPTM entre 2003 e 2006 estavam previstos investimentos para a implantação do SIM da Baixada Santista, para a implementação do Expresso Sudeste e do Projeto Leste etapas 1 e 2. Ao todo, seriam destinados R$ 35, 35 milhões. Nenhum centavo sequer foi investido.

O mesmo aconteceu com o Trem Expresso Guarulhos/Aeroporto, considerado essencial para a realização da Copa do Mundo em 2014, que tinha uma previsão de gasto no governo Alckmin de R$ 1,2 milhão, um valor já considerado irrisório e que, mesmo assim, não foi executado.

Em valores corrigidos pelo IGP-DI, em 2003 o governo Alckmin gastou R$ 510 milhões com transporte ferroviário. Em 2006, foram gastos apenas R$ 141 milhões, o que significa uma queda de R$ 369 milhões (-72%).

No governo de José Serra, a situação de abandono da CPTM prosseguiu. Na linha 12, por exemplo, estava previsto o gasto de R$ 395,5 milhões, entre os anos de 2007 e 2009, mas foram aplicados R$ 208,8 milhões, apenas 52,1% do que estava previsto no Orçamento.

A ‘economia’ com a modernização e a expansão da oferta de trens é ainda maior na Linha Luz –Jundiaí, que teve apenas 51,68% do investimento previsto para os últimos três anos. Já a prometida modernização da linha 8 – Diamante (Júlio Prestes / Itapevi) até Amador Bueno não saiu do papel.

Não é à toa que os serviços da CPTM são reprovados por metade dos usuários, de acordo com a pesquisa ANTP de 2009. Apesar da propaganda, está longe de alcançar “o nível de metrô de superfície”.

Falhas e panes nos trens támbém têm sido uma constante na vida dos passageiros. No dia 10 de agosto, cerca de 70 mil usuários foram prejudicados por uma falha na linha 11, que presta serviço na zona leste. Essa falha comprometeu a circulação dos trens por sete horas e ainda afetou o funcionamento do Metrô. Um problema semelhante a este provocou um incêndio no vagão de um dos trens da linha 12, que liga o Brás a Poá.

Investimentos federais

O governo do presidente Lula tem priorizado o transporte ferroviário e já autorizou a contratação de R$ 7,7 bilhões de empréstimos para o metrô e para a CPTM, dos quais R$ 3,9 bilhões já foram liberados. Apesar desse apoio, todos os cronogramas das obras estão atrasados, como o da Linha 17 – Ouro, projeto de monotrilho ligando a Linha 1 – Azul do Metrô ao Aeroporto de Congonhas na Estação São Judas, chegando até o Morumbi. O governo federal já disponibilizou R$ 1,08 bilhão de financiamento para essa obra, que está atrasada.

 

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *