Zara presta esclarecimentos a deputados sobre trabalho escravo na empresa

19/09/2011

Quarta-feira

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A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais, presidida pelo deputado petista Adriano Diogo, vai ouvir, nesta quarta-feira (21/9), às 12h30, o administrador e representante legal da Zara Brasil Ltda, Enrique Huerta Gonzalez. Ele deve prestar esclarecimentos acerca das denúncias sobre suposta prática de exploração de trabalho escravo na empresa. No convite anterior da Comissão, o empresário não compareceu, em 31/8. Agora, em ofício à Comissão, mostrou disponibilidade em comparecer.

Também foram convidados para participar da reunião da Comissão, Luis Alexandre de Faria, auditor-fiscal da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo; Luiz Antonio Machado, do Escritório da Organização do Trabalho; e Padre Mário Geremia, do Centro Pastoral do Migrante.

Inspeções realizadas por auditores do Ministério do Trabalho na oficina da empresa Zara, em Americana, interior do Estado, constataram condições degradantes de trabalho, com alojamentos irregulares, falta de banheiros e dormitórios inadequados. Após denúncia anônima de um trabalhador, os auditores encontraram 52 funcionários em ambiente insalubre, trabalhando 14 horas por dia e recebendo entre R$ 0,12 e R$ 0,20 por peça.

A Zara já sofreu mais de 50 autuações e o Ministério Público do Trabalho de Campinas informou que há um inquérito em andamento, desde maio deste ano, para investigar as denúncias na fábrica prestadora de serviços da grife.

CPI do Trabalho escravo

A Bancada dos deputados do PT na Assembleia Legislativa tem pressionado a base governista para que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Trabalho Escravo seja instaurada.

A proposta de CPI do deputado Carlos Bezerra já conta com o apoio de 42 parlamentares, mas atualmente o regimento da Assembleia paulista estabelece que só pode haver simultaneamente cinco CPIs em atividade. O pedido da sexta CPI está previsto no regimento, mas teria de entrar na fila juntamente com os outros pedidos. No caso da investigação do trabalho escravo no Estado, conforme a regra atual, seria apenas o 16º item da fila.

Denúncias no Estado

No Estado de São Paulo há um crescente número de denúncias de trabalho escravo. Além da empresa Zara, em 17/8, no bairro do Bom Retiro, na Capital, 17 bolivianos foram encontrados em condições precárias de trabalho. Outros setores também registram casos, como na produção de laranja e álcool e na construção civil.

Segundo relato do jornalista e ativista da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, também integrante da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, de 2007 até agora, o Ministério Público liberou cerca de 500 trabalhadores em São Paulo, a grande maioria arregimentados nos estados do Nordeste.

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