NÃO AO FECHAMENTO DO MUSEU DA DIVERSIDADE SEXUAL
NÃO AO FECHAMENTO DO MUSEU DA DIVERSIDADE SEXUAL

A deputada Professora Bebel coordenou audiência pública realizada nesta terça-feira, 17/5, na Assembleia Legislativa, com ativistas e entidades envolvidas na defesa do Museu da Diversidade Sexual, que foi fechado em março por tempo indeterminado por decisão liminar em ação popular. Criado em 2012, o museu está vinculado à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. O processo ajuizado pelo deputado estadual Gil Diniz (PL) questiona os valores do contrato firmado entre o governo estadual e o Instituto Odeon, responsável pela gestão do museu desde janeiro deste ano.

A audiência pública, que marcou as comemorações do Dia Mundial e Nacional de Luta contra a LGBTfobia, contou com a participação de Salete Campari, ativista e artista drag queen; Symmy Larrat, da ABGLT e ANTRA; Janaína Oliveira, da Rede Afro LGBT e secretária nacional LGBT do PT; Marcelo Moraes, da Secretaria Estadual LGBT do PT; Vinícius Silva, promotor público e coordenador do Núcleo de Defesa da Diversidade e Igualdade Racial; e Marisa Bueno e Souza, representante do Instituto Odeon e diretora do Museu da Diversidade Sexual.

A deputada Professora Bebel considera que o fechamento abrupto do museu representa um ataque frontal à comunidade LGBTQIA+, que produz cultura e faz repensar conceitos. Segundo a parlamentar, como se trata de uma política pública, de um museu que abriga um acervo da memória da comunidade LGBTQIA+, é preciso questionar tanto o seu fechamento arbitrário quanto avaliar a forma de gestão desse equipamento. Bebel questionou o fato de a própria comunidade não estar inserida na gestão do museu. “É como pensar a escola e o conselho de escola sem o professor”, comparou. “Quem tem de gerir? Quem tem de compor o conselho? É a comunidade LGBTQIA+, de forma paritária, da mesma forma como lutamos pela paridade em todos os espaços e nas políticas públicas.”

Salete Campari comentou que o fechamento do museu aconteceu justamente no dia em que haveria uma exposição de drags queens. “Depois de uma pandemia de dois anos, estar no cartão postal da cidade era de uma importância muito grande. Eu fui para a exposição. Me preparei toda. Até cílio eu coloquei. Quando cheguei lá, dei de cara com a notícia de que o museu estava interditado. Fiquei triste, porque esse museu era para ser nosso. Quero que o museu esteja aberto, porque museu é arte e cultura. Tudo o que mais quero. Mas eu quero que o museu contemple a diversidade, que tudo seja claro e transparente e que os artistas sejam reverenciados e valorizados de verdade.”

Salete também comentou que o orçamento do museu precisa ser transparente e atender aos anseios da comunidade LGBTQIA+. “Um museu de verdade, que recebe R$ 30 milhões, não deveria funcionar dentro de uma estação de metrô. A gente precisa ter uma sede própria. O governador Alckmin doou para nós o casarão da Paulista, mas João Doria decidiu dar para outra finalidade. A gente não pode ficar escondida. Temos de ser vistas no cartão postal de São Paulo, onde acontece a maior parada LGBT do mundo”, afirmou.

A representante do Instituto Odeon, Marisa Bueno e Souza, destacou que o Museu da Diversidade Sexual é o terceiro no mundo e o primeiro na América Latina dedicado à pesquisa e à memória LGBTQIA+. “Ele faria dez anos, agora em maio. Contudo, esse processo foi interrompido por uma ação popular em detrimento do funcionamento do museu, movida pelo deputado estadual Gil Diniz, conhecido como Carteiro Reaça. Cabe lembrar que o ataque desse deputado faz parte de um longo processo que está em cursos há anos no Brasil. O setor cultural vem sofrendo ataques de agentes políticos reacionários, que mobilizam esforços para censurar artistas e produtores culturais compromissados com posturas críticas e a valorização da diversidade social.”

A diretora do museu explicou que o Instituto Odeon assumiu a gestão do equipamento, por meio de convocação pública promovida pela Secretaria da Cultura, que previa orçamento de R$ 30 milhões, sendo R$ 5 milhões destinados à ampliação de sua sede na Estação República do Metrô e o restante distribuído para gastos nos próximos cinco anos.

Segundo Marisa Bueno e Souza, a organização social vencedora do certame da convocação pública passou por todo o processo de habilitação e as pendências judiciais referentes a outro contrato (com Teatro Municipal) ainda estão em processo de discussão no Judiciário, não havendo qualquer penalidade que impeça o instituto de participar de chamamentos públicos e celebrar parcerias e contratos com o poder público.

“O fechamento do Museu da Diversidade Sexual é uma perda para toda a comunidade LGBTQIA+, uma vez que reforça o apagamento de sua memória e da sua demarcação na construção de narrativas históricas e sociais. Museus são espaços de poder. E é isso que está em questão neste momento. Fechar o museu é autorizar o silenciamento. A gente não pode se calar. O momento é grave e pede que, momentaneamente, sejam minimizadas as eventuais diferenças ou questionamentos, para podermos, juntos, lutar por nossa voz e nossa história. Não mediremos esforços para retomar o quanto antes as atividades desse equipamento e continuar atuando como um aparelho de transformação social, na luta pela dignidade humana e promoção de direitos.”

 

Assista à integra da audiência pública:

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