HADDAD DEBATE PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE SP
HADDAD DEBATE PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE SP

Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda foi o tema do primeiro seminário #Fala São Paulo, que abre o ciclo de debates para a criação de um programa de governo participativo, capitaneado por Fernando Haddad. O encontro realizado nesta segunda-feira, 30/5, foi coordenado pelo deputado Emidio de Souza e teve a participação da líder do PT na Alesp, Márcia Lia. O seminário reuniu os economistas Leda Paulani, Elias Jabbour, Simone Deos, Gabriel Galípolo, Michael França e Sandra Faé.

Haddad disse que o processo participativo de criação de um programa de governo é a melhor forma de garantir uma boa gestão. “Tem muitas ideias boas e muitas pessoas dispostas a colaborar. Isso vai arejar o Estado, depois de trinta anos sem alternância do poder. Há uma galera que está estudando, uma massa crítica nova nas universidades que está sedenta por participação, mulheres, negros, filhos de trabalhadores, com visões de mundo que vão agregar às políticas públicas, corrigindo rumos e inovando. Podemos fazer uma grande diferença no Estado de São Paulo”

O economista Elias Jabbour (UERJ) propôs uma agenda emergencial para os primeiros 100 dias do governo. Segundo ele, é extremamente necessário ter um plano emergencial de ações contra fome e de retomada das obras paradas, para promover a coesão social e gerar trabalho e renda de forma imediata. “A primeira medida do governo é mobilizar recursos para enfrentar essa questão.”

Jabbour também defendeu a construção do Consórcio Sudeste, com o objetivo estratégico de utilizar as boas relações existentes com a China e elevar o patamar desse relacionamento para a formação de joint ventures para investimentos e transferência de tecnologias ligados à renovação da infraestrutura do Estado de São Paulo e da região sudeste como um todo.

A professora Leda Paulani (FEA-USP) defendeu a adoção do modelo de planejamento com participação social. Para ela, o desafio do Estado de São Paulo é promover o desenvolvimento ambientalmente sustentável e inclusivo. Para isso, é preciso lutar contra as forças dominantes dos princípios capitalistas. “O estado deve promover o esforço coletivo, ao invés da meritocracia; a solidariedade, ao invés do individualismo egocêntrico; e a cooperação, ao invés da concorrência. São necessárias políticas inclusivas e políticas nas quais esses princípios sejam estimulados.”

O colunista Michael França, pesquisador do Insper, afirmou que as políticas públicas precisam ser bem desenhadas para desenvolver os potenciais das pessoas. Segundo ele, não basta ter bons quadros técnicos para desenhá-las, é preciso haver diversidade na composição desses quadros, com visões de mundo e perspectivas diferentes. Além de implementar políticas, é fundamental avaliá-las quanto aos impactos sociais efetivos.

Simone Deos, professora de economia da Unicamp, avaliou que as políticas neoliberais adotadas nos últimos trinta anos geraram profundas destruições, agravadas pelo período de pandemia. Ela defende um projeto de garantia de empregos, de caráter permanente, que abra a oferta de vagas para trabalhadores sem capacitação ou que estejam há muito tempo fora do mercado de trabalho, com remuneração mínima de um salário-mínimo. Na sua avaliação, o projeto não conflita com os programas de renda básica e pode ser gerido de forma articulada entre os governos federal, estaduais e municipais.

Sandra Faé, que foi secretária municipal adjunta de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo na gestão Haddad, propôs a inserção da economia criativa e das alternativas de economia solidária nas políticas de emprego, trabalho e renda. Ela sublinhou a importância de desenvolver estratégias de desenvolvimento a partir dos princípios da economia solidária, cooperativismo, empreendimentos associativos e autogestionários. Segundo ela, as formas alternativas de organização da produção devem ter um caráter estratégico e ser estimuladas por políticas de fomento, estratégias regionais e locais, financiamento público, políticas de inovação e de compras públicas.

 

 

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