ASSEMBLEIA COMEMORA OS CEM ANOS DA REVOLTA DE 1924 E DA COLUNA PRESTES
ASSEMBLEIA COMEMORA OS CEM ANOS DA REVOLTA DE 1924 E DA COLUNA PRESTES

Há cem anos, a cidade de São Paulo foi fortemente bombardeada a mando do então presidente do Brasil, Arthur Bernardes. O ataque aéreo visava sufocar  a sublevação conhecida como a Revolta Paulista de 1924, iniciada no dia 5 de julho daquele ano. Os combates e bombardeios causaram danos materiais na cidade e cerca de 720 mortes.

A segunda revolta tenentista ocorrida no Brasil (a primeira foi em 1922, no Rio de Janeiro) se ergueu contra o domínio das oligarquias e pretendia derrubar o governo de Artur Bernardes. Com a ação das tropas federais, numerosas e bem armadas, para escapar do cerco e dar continuidade à revolução, os rebeldes escaparam de São Paulo em direção ao Paraná, onde se uniram aos tenentistas do Rio Grande do Sul para formar, naquele mesmo ano, a Coluna Prestes. O agrupamento, liderado por Luiz Carlos Prestes e Miguel Costa e integrado por centenas de homens, marchou cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do país, entre 1925 e 1927, para mobilizar a população a lutar contra as injustiças e as desigualdades promovidas pelos governos oligárquicos da Primeira República.

Na noite desta sexta-feira, 7/6, a Assembleia Legislativa de São Paulo realizou sessão solene em Comemoração aos 100 anos da Revolução de 1924 – Coluna Prestes. A celebração foi coordenada pelo deputado Maurici e contou com a presença de deputados e deputadas, descendentes dos personagens que participaram desses movimentos históricos, bem como de historiadores e especialistas no assunto.

Porrada mestra

Na abertura da sessão solene, Maurici leu um trecho do livro Serafim Ponte Grande, do escritor modernista Oswald de Andrade que, ao retratar a São Paulo da década de 1920, se referiu ao episódio da Revolta de 1924 dizendo: “Mas a revolução é uma porrada mestra nesta cidade do dinheiro a prêmio. São Paulo ficou nobre, com todas as virtudes das cidades bombardeadas.”

O deputado Maurici disse que o objetivo da sessão solene foi lançar luz sobre uma passagem invisível da história paulista e do povo brasileiro. “A Revolta Paulista de 1924 reduziu parte da cidade de São Paulo a cinzas, matou centenas de pessoas e deixou uma marca indelével na nossa história. No entanto, foi esquecida, não lembrada pela história oficial.”

Para lembrar os cem anos da Coluna Prestes, Maurici entregou uma homenagem a Luís Carlos Ribeiro Prestes, filho de Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, e a Yuri Abyaza Costa, descendente de Miguel Costa.

Identidades da coluna

O filho de Prestes disse que, passados cem anos, a Coluna Prestes é um evento de grande importância para a história moderna brasileira, que demonstra “o compromisso do povo brasileiro com os ideais republicanos, com o pleno desenvolvimento econômico e social, defesa do voto secreto e do direito do voto da mulher, modernização da indústria, fim da corrupção e defesa da soberania nacional. A marcha revelou o interior do país com todas as suas contradições para todos os brasileiros.”

Luís Carlos Ribeiro Prestes ressaltou ainda um tema pouco discutido da Coluna revolucionária: seu conteúdo étnico. As fotografias que registraram momentos da marcha mostram a presença de muitos soldados negros. “Estou feliz pois, hoje, a identidade étnica da coluna ganhou horizontes acadêmicos e jornalísticos. Com certeza, a memória da Coluna Prestes demonstra que a juventude brasileira sempre esteve presente nas lutas pela democracia no Brasil.”

Maurici e Luís Carlos Ribeiro Prestes

Representante de Miguel Costa, Yuri Abyaza Costa desejou que justiça seja feita a todos os revolucionários que tombaram na luta sem saber por que morriam. Morreram motivados por um ideal: a esperança de um Brasil mais igualitário, em que a pobreza que a muitos aflige não esteja tão distante da riqueza que a poucos beneficia.”

Maurici entrega homenagem a Yuri Abyaza Costa

O marechal Isidoro Dias Lopes, um dos mentores da Revolta Paulista de 1924, foi representado por José Antonio Dias Lopes, e o comandante João Alberto Lins de Barros, militar que participou da revolta de 1924 e da Coluna Prestes e foi, mais tarde nomeado interventor federal em São Paulo por Getúlio Vargas, foi representado por João Alberto Pedroso.

Maurici e José Antonio Dias Lopes

Maurici e João Alberto Pedroso, descendente do comandante João Alberto Lins de Barros

Mesa técnica

Após as homenagens, foi formada uma mesa técnica com o historiador Lincoln Secco, o jornalista Breno Altman, a historiadora Maria Clara Espada de Castro e o historiador Lindener Pareto Junior.

Na sessão, foi exibido um trecho do filme “São Paulo Cidade Aberta”, dirigido por Caio Plesman e que possui argumento de Sérgio Rubens de Araújo Torres, fundador da Hora do Povo, que também foi homenageado por meio do seu filho, Bernardo Torres.

O ex-senador da Itália José Luiz Del Roio também participou da solenidade. Ele foi um dos responsáveis pela recuperação do acervo documental do PCB – que incluía a biblioteca de Astrojildo Pereira.  Del Roio conseguiu transferir o acervo, que esteva ameaçado pelas buscas constantes de órgãos de repressão militar, para Milão, na Itália.

A Assembleia Legislativa promove a partir desta sexta a exposição “Centenário de 1924: Memórias da Revolta Esquecida, que ficará aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 08h às 20h, no Espaço Cultural V Centenário.

Lindener Pareto Junior, Lincoln Seco, Maria Clara Espada de Castro e Breno Altman
José Luiz Del Roio, ex-senador da Italia e um dos fundadores da Ação Libertadora Nacional (ALN)

 

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