ATO HOMENAGEIA MULHERES QUE LUTARAM POR COMPANHEIROS MORTOS PELA DITADURA
ATO HOMENAGEIA MULHERES QUE LUTARAM POR COMPANHEIROS MORTOS PELA DITADURA

A Assembleia Legislativa de São Paulo ortogou o colar de honra ao mérito legislativo para Clarice Herzog, Eunice Paiva e Ana Dias. A homenagem promovida pela deputada Beth Sahão, na última sexta-feira, 5/4, no plenário Juscelino Kubitschek, reuniu familiares e amigos dessas três heroínas, que travaram uma intensa luta em busca da justiça para seus companheiros mortos pela ditadura.

A deputada Beth Sahão destacou que essa homenagem significa um gesto de valorização do direito à memória e o reconhecimento do protagonismo dessas mulheres na resitência à ditadura militar e na luta pela redemocratização do pais.

As homenageadas
Eunice Paiva foi casada com o deputado Rubens Paiva, desaparecido pela ditadura em 1971. Ficou 12 dias presa no DOI-Codi do Rio de Janeiro com a filha de 15 anos. Eunice passou a exigir a verdade sobre o paradeiro do marido, o reconhecimento de sua morte e a revelação de onde o corpo estaria enterrado, o que jamais descobriu. Formou-se advogada aos 47 anos e passou a militar pela verdade e direitos civis dos desaparecidos e de seus familiares. Símbolo da luta contra a ditadura, Eunice Paiva morreu em 13 de dezembro de 2018, em São Paulo, aos 86 anos.  Na homenagem póstuma,  o colar de honra foi entregue à sua filha, Vera Paiva.

Beth Sahão (à dir.) entrega colar de honra a Vera Paiva, filha de Eunice Paiva

Clarice Herzog travou uma luta contínua para esclarecer as circunstâncias e os responsáveis pela morte de seu companheiro, o jornalista Vladimir Herzog, preso, torturado e assassinado no DOI-Codi em outubro de 1975. Publicitária, Clarice lutou por décadas pela memória, verdade e justiça para Vlado. Recentemente conquistou a condenação do Estado brasileiro pela omissão em elucidar o crime e punir os torturadores. No ultimo dia 3 de abril, a Comissão de Anistia da Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou de forma unânime o reconhecimento de Clarice Herzog como anistiada política.  O filho de Clarice,  Ivo Herzog, recebeu o colar de honra em nome da mãe.

Ivo Herzog e Beth Sahão

Ana Dias é viúva do operário Santo Dias, assassinado pela ditadura em 30 de outubro de 1979. Ela e o marido militavam nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica ao lado de trabalhadores rurais e urbanos. No final da década de 1960, afetados pelo êxodo rural, ambos migraram do interior de São Paulo para a capital, onde fixaram moradia na periferia do Jardim Ângela. Em São Paulo, Santo Dias foi militante da oposição metalúrgica, participou ativamente da greve de 1979, quando foi morto pela Polícia Militar durante piquete na fábrica da Sylvania, em Santo Amaro, zona sul da capital. Ana é liderança da Zona Sul de São Paulo que organizou a luta de mulheres por direitos e participa ativamente do Comitê Santo Dias, organizando anualmente atos no local onde Santo foi morto.

Beth Sahão e Ana Dias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *