AUDIÊNCIA DISCUTE MOBILIZAÇÃO PARA BARRAR PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS
AUDIÊNCIA DISCUTE MOBILIZAÇÃO PARA BARRAR PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS

A privatização dos Correios foi o tema da audiência pública promovida nesta segunda-feira, 23/8, pelo deputado Luiz Fernando (PT). Trabalhadores dos Correios, sindicalistas e representantes das centrais sindicais discutiram a necessidade de uma ampla mobilização para derrubar o PL 591/2021, que trata da autorização da privatização dos Correios. O projeto do governo Bolsonaro já foi aprovado na Câmara dos Deputados e será analisado, agora, pelo Senado.

“Querem passar, mais uma vez, algo que é nosso para a iniciativa privada explorar”, disse Luiz Fernando, lembrando que os Correios é uma empresa altamente lucrativa que leva não somente as correspondências como também transporta cargas para os lugares mais longínquos do país. A empresa vem sendo sucateada anão a ano, mas os trabalhadores dos Correios exercem suas funções com grande competência, honra e orgulho. Por isso é um patrimônio de todos nós.

O deputado petista acrescentou que a audiência teve o propósito de discutir a quem interessa a venda da empresa, e o que é possível fazer entre este momento, em que a lei acaba de ser aprovada, e até o ato da privatização. Como resistir?

Privatizações: projeto da classe dominante

O presidente estadual da CUT de São Paulo, Douglas Izzo, disse que o argumento do governo para privatizar os Correios não tem nenhum fundamento. A empresa estatal registrou em 2020 um lucro bilionário (R$ 1,5 bilhão). Entre 2017 e 2019, o lucro foi de R$ 970.  O crescimento excepcional do e-comerce foi alavancado pelas mudanças dos padrões de consumo durante o período da pandemia e os Correios vem respondendo com grande eficiência às novas necessidades.

Izzo destaca que a empresa estatal atende a mais de 5 mil municípios. Entrega mercadorias e correspondência para todo o país, atingindo toda a população brasileira. Para isso, utiliza os mais diversos meios de transporte para chegar às áreas mais remotas e de difícil acesso. “A empresa tem um caráter social”, completa.

Na avaliação do dirigente da CUT, desde o golpe contra a presidente a Dilma, a classe dominante selou um acordo para implementar a privatização das estatais brasileiras. “O capital não tem mais para onde direcionar a expansão dos seus lucros. Por isso quer capturar a prestação de serviços públicos, como educação, saúde e assistência social. A privatização significa a tomada desse setor pela iniciativa privada e a ampliação dos preços dos serviços públicos hoje prestados pelo estado. O problema dos Correios é do povo brasileiro, o maior prejudicado pelo processo de privatização, a exemplo do que já aconteceu com os preços da gasolina e da energia elétrica, geridos totalmente pelo mercado.”

Covardia do governo

O secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Jose Rivaldo da Silva, acusa o governo Bolsonaro de utilizar as fragilidades impostas pela pandemia e de fazer a política do toma lá dá cá. “O governo está atacando tudo. Ele privatiza os Correios de forma muito covarde.”

Silva diz que para barrar o projeto no Senado é importante multiplicar as ações e o debate com audiências como a desta segunda-feira. Ele considera ser fundamental uma Frente Parlamentar em Defesa dos Correios nas três esferas da federação.

Enfrentar a versão da mídia

A mídia corporativa tem sido instrumentalizada para detonar a imagem pública dos Correios, avalia Jose Aparecido Gimenes Gandara, presidente da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect). Ela oculta que nos 20 maiores países do mundo os serviços de correio são operados por empresas estatais. Também não diz que, apesar de a estatal brasileira ter uma das menores tarifas do mundo, ela vai gerar somente neste ano R$ 3 bilhões de lucro.

“É preciso desconstruir a versão do governo”, diz Gandara, lembrando que a os Correios operam com subsídios cruzados que permitem à empresa levar serviços para todas as regiões do país, inclusive aquelas que são deficitárias. Desse modo, a receita aferida com os serviços prestados nas áreas mais rentáveis do país subsidia as atividades desenvolvidas nas regiões mais pobres do país, onde as operações geram déficits.

Governo mantém deputados nas suas mãos

“Por que vender uma empresa lucrativa?”, questionou o deputado federal Paulo Teixeira (PT/SP). Para ele, a privatização da empresa não faz sentido. O único sentido seria fazer caixa. “Isso está errado. Para pagar despesas, o governo deveria instituir a progressividade dos impostos, corrigir o imposto de renda e tributar as grandes fortunas e grandes heranças.”

O parlamentar avalia que, atualmente, os Correios são sinônimo de entrega de compras digitais. Sobretudo no período de pandemia, houve grande crescimento das compras pela internet. “Os Correios entregam essas compras. E faz isso com tarifas baratas. Se for privatizado, haverá o crescimento da tarifa, assim como aconteceu com as tarifas de energia e de outros serviços públicos privatizados.”

Paulo Teixeira também analisou o porquê de a privatização dos Correios ter sido aprovada na Câmara dos Deputados. “O governo colocou em prática o orçamento paralelo, feito por meio de emendas do relator. Essas emendas fazem com que o governo mantenha um grande número de parlamentares em suas mãos. Assim, ele consegue aprovar tudo. Mas a mobilização é fundamental para barrar esse projeto no Senado.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *