RODA DE CONVERSA DIALOGA SOBRE VIDAS INTERROMPIDAS
RODA DE CONVERSA DIALOGA SOBRE VIDAS INTERROMPIDAS

Assunto muito sensível e difícil de ser abordado, o suicídio foi tema de roda de conversa coordenada pela deputada Beth Sahão, nesta quarta-feira, 17/4, na Assembleia Legislativa de São Paulo, com representantes de organizações e coletivos que integram o movimento sobre vidas interrompidas.

O encontro foi organizado pelos coletivos Intercambiantes SP e Terapeutas Solidários e pelo Fórum Nacional de Prevenção e Posvenção do Suicídio nas Universidades e Escolas de Ensino Médio e Fundamental e teve o apoio do deputado Luiz Fernando Teixeira e de diversos outros parlamentares da Federação PT/PCdoB/PV.

A deputada Beth Sahão chamou atenção para os números crescentes de casos de suicídio de jovens e crianças no Brasil e na América Latina. Ela disse que eventos como essa roda de conversa pública s tornam-se cada vez mais importantes, tendo em vista a inserção cada vez mais ampla de crianças e adolescentes nas redes sociais e os casos de vidas interrompidas em razão de fenômenos psicossociais que se repsoduzem no ambiente digital. A deputada também destacou que especialistas vem defendendo proteção e restrições ao uso das redes por pessoas com idade inferior a 14 anos.

O deputado Eduardo Suplicy também aplaudiu a iniciativa da roda de conversa, destacando que esses eventos são essenciais para promover a conscientização e para compartilhar conhecimento e mobilizar ações efetivas em prol da saúde mental dos jovens estudantes.

“É importante que possamos implementar programas de saúde mental em escolas e universidades que garantam acesso a serviços de saúde mental, por meio de parcerias com clínicas locais e serviços de aconselhamento das próprias instituições, bem como para a capacitação de professores e funcionários para reconhecerem sinais de alerta de comportamentos suicidas e saber como lidar com essas situações de forma adequada”, completou Suplicy.

 

Movimento nacional

A psicóloga Eroy Aparecida da Silva, do Departamento de Psicobiologia da Unifesp, lembrou que esta é a segunda vez que o assunto é tratado na Assembleia Legislativa de São Paulo. A outra ocasião foi em setembro do ano passado, por iniciativa da deputada Beth Sahão.

Segundo Eroy, o evento desta quarta-feira na Assembleia Legislativa marca também o lançamento do Fórum Nacional de Prevenção e Posvenção do Suicídio nas Universidades e Escolas de Ensino Médio e Fundamental e busca ampliar o apoio para a movimento nacional para as cãmaras, assembleias legislativas. Na próxima semana, dia 23 de abril, acontecerá audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, promovida pela deputada Erika Kokay, para colocar o assunto no debate público.

“Vamos, junto com várias outras entidades, à Brasília para apresentar nossas pautas de luta, entre elas a construção de um observatório nacional de cuidados em relação ao suicídio. Esse tema, além de complexo, é ambíguo porque, de um lado, ele é silenciado e silencioso e, de outro lado, temos as associações e as universidades já levando essa luta, mas de forma isolada. O que nós queremos é a construção desse observatório para que a gente possa trabalhar esse tema sem tabus e sem estigmas, porque na sua própria natureza e complexidade ele traz preconceitos e sentimentos de culpa e de vergonha”, diz Eroy Aparecida.

O suicídio e a morte involuntária são permeados por intenso sofrimento. São apenas a ponta do iceberg que é formado por uma somatória de sofrimentos cotidianos que podem contribuir para que muitas pessoas se desinteressem pela vida: a violência inter e intrafamiliar, o abandono, o racismo, a misoginia , a homofobia, a violência contra mulheres e crianças e tantas outras questões da existência e das relações que os humanos estabelecem entre a vida interior e subjetiva e a sociedade.

A psicoterapeuta Cris Lopes, do Coletivo Terapeutas Solidários, comentou estudo feito há 9 anos atrás que já  mostrava que, de 172 países, 49% deles tiveram queda do número de suicídios. O Brasil, porém, ficou fora desse grupo e apresentava 10,4 % a mais que esses países. “Nosso País, infelizmente, vem tendo uma incidência muito grande entre jovens. Quando ds foca apenas os universitários, o Brasil ocupa a primeira posição na América do Sul. O que isso quer dizer? Que nossas universidades não estão preparadas para o pertencimento. Que não adianta entrar pelo sistema de cotas e não se sentir em casa. Que é opreciso se sentir em casa, quando se entra na universidade. Esse é um dos nossos desafios.”

Cris Lopes comentou que a incidência de suicídios na faixa de 15 a 29 anos é muito alta no Brasil. e que o números relativos às crianças também aumentam e causam preocupação. “Nossos olhos têm visto que crianças com idades inferiores a 15 anos estão atentando contra a própria vida. Elas avisam, e esse avisar é um pedido de socorro. Por isso, ler sinais de vida é mais importante para os profissionais da saúde e da educação do que ler sinais de morte. Hoje, a saúde mental se ocupa predomenantemente da posvenção, ou seja do depois do ocorrido. Mas, o que podemos fazer de prevenção? Esse é o desafio do trabalho de terapeutas solidários. Não podemos ter medo de falar sobre vidas interrompidas ou de suicídio. O que nós precisamos é estar ao lado das pessoas.”

Beth Sahão coordena roda de conversa

 

Deputado Eduardo Suplicy participa da roda de conversa

 

Eroy Aparecida da Silva

 

Cris Lopes

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