COM EXTINÇÃO DA SUCEN, DENGUE AVANÇA E MATA EM SÃO PAULO 
COM EXTINÇÃO DA SUCEN, DENGUE AVANÇA E MATA EM SÃO PAULO 

Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em dezembro de 2019 apontava a notificação de 905.912 casos de dengue no país. Desses, 433 foram a óbito. São Paulo é o segundo estado com mais registros de casos, em todo o Brasil, ao todo foram 205.616 notificações e 108 mortes, naquele ano.

Em setembro de 2020, o governo Doria aprovou o PL 529, que definiu a extinção da Superintendência de Controle de Endemias – Sucen. O órgão, instituído em 1970, atuou por décadas no assessoramento aos municípios paulista no controle do vetor da dengue, zika e chikungunya, e no controle de animais que transmitem doenças como malária, mal de chagas, leishmaniose, esquistossomose, febre maculosa, entre outras.

 A Sucen já vinha sofrendo o sucateamento promovido pelos sucessivos governos tucanos. Em 2019, o governo Doria fez mudanças no organograma da Secretaria da Saúde, que criou a Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD). Segundo o SindSaúde, foram fechadas 14 sedes e setores de serviços pelos quais a Sucen respondia.

Em 2020, ano em que São Paulo teve um grande surto de dengue, ocorreram 195,8 mil casos e 144 mortes. De janeiro ao começo de abril de 2021, foram registrados 1.496 casos na cidade de São Paulo. Em 2022, os casos de dengue na capital cresceram 40%. No mesmo período, foram contabilizados 2.105, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Avanço de dengue no interior do Estado

Sete cidades do centro-oeste paulista entraram em estado de alerta no começo de 2022 para uma epidemia de dengue.

De janeiro a dezembro, Marília teve uma epidemia, com 2.939 pessoas com a doença, média superior a 56 casos por semana. Segundo a prefeitura, foi o pior ano para o controle da doença desde a grande epidemia de 2015, quando a doença fez mais de 20 mil vítimas.

Segundo o Ministério da Saúde, Votuporanga é o quarto município do Brasil com maior número de casos de dengue, em 2022. Desde janeiro, a cidade, com cerca de 96 mil habitantes, já registrou 3.040 casos de dengue e outros 1.830 estão em investigação. Com uma média de 70 novos casos diários de dengue, a cidade no interior de São Paulo decretou estado de epidemia.

Outra cidade do interior que vem registrando muitos casos de dengue neste início de ano é São José do Rio Preto. Registrou 2.741 notificações de dengue até o início do mês de abril e confirmou dois casos de morte em fevereiro.

Nos três primeiros meses deste ano, na cidade de Franca, 619 pessoas contraíram a doença ante 221 diagnósticos de janeiro a dezembro do ano passado. A prefeitura fala em subnotificação. Os casos de dengue, de janeiro a março de 2022, quase triplicam em relação aos de 2021.

O que podemos notar é a relação direta do desmonte da Sucen, com a proliferação do aedes aegypti, e a falta de assistência preventiva, controle e combate ao mosquito transmissor.

Em meio ao surto de dengue que avança pelo Estado, o governador Rodrigo Garcia, vice de João Doria, publicou o Decreto nº 66.664, de 14 de abril de 2022, que define que as atribuições da SUCEN serão transferidas para a Secretaria da Saúde.

Segundo o decreto, 63 servidores ocupantes de cargo de provimento efetivo serão transferidos para a Secretaria da Saúde. Esses servidores poderão ser afastados para prestação de serviços junto a outros órgãos e entidades da administração pública direta e indireta. Já os 817 servidores ocupantes das funções-atividades da SUCEN integrarão o Quadro Especial em Extinção vinculado à Secretaria da Saúde. As 817 funções-atividades dos integrantes do Quadro Especial em Extinção serão extintas na vacância.

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