“Desculpas” de deputado Bolsonarista não o livram de repúdio

Depois do discurso público de ódio, no dia 14 de outubro, usando xingamentos de ‘vagabundo’, ‘canalha’ e ‘safado’, referindo-se ao Papa Francisco,  ao arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, e contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, em sessão plenária na Assembleia legislativa de São Paulo, o deputado Frederico d’Avila (PSL), pediu desculpas públicas, na segunda (18), pelas “palavras e exagero”.

As “desculpas” não foram suficientes para que a situação fosse simplesmente esquecida, o objetivo de D’Ávila pois tanto pela CNBB que avisou que o caso irá para a justiça, como para os 10 deputados da bancada petista que assinam uma moção de repúdio às ofensas, o parlamentar cometeu uma falta muito grave.

Nas redes sociais, com o lema “Esse é Agro”, são públicas as práticas ofensivas de d’Avila, contra movimentos sociais importantíssimos, como, por exemplo, o MST. E amostras ferrenhas de apoio ao Presidente da República são o principal tema de sua linha do tempo, ao menos no Facebook: na própria terça (19), às 20h35 há uma foto do parlamentar com Bolsonaro, em Brasília. A pauta, segundo ele, foi Segurança Pública.

Mas não com com parlamentares e a igreja D’Ávila está encrencado. Ainda em suas redes há diversos comentários de internautas pedindo a cassação do mandato do deputado e ética.

O texto da moção manifesta ainda, respeito e solidariedade, declarando que tais agressões não expressam o pensamento da maioria dos parlamentares da Alesp. Também assinam o documento, parlamentares de outras siglas: Carlos Giannazi (PSOL), Marcos Zerbini (PSDB), Dirceu Dalben (PL) , Marina Helou (Rede).

Manifestações de petistas nas redes sociais

Desde a segunda (14), a indignação com o caso tomou conta das redes sociais da  líder, a deputada Professora Bebel  e de todos os outros companheiros de bancada do partido: José Américo , Márcia Lia , Paulo Fiorilo , Emidio de Souza , Luiz Fernando T. Ferreira , Teonilio Barba, Dr. Jorge Do Carmo, Enio Tatto e Maurici, que ao contrário do deputado Bolsonarista, não relativizaram o caso em nenhum momento. Abaixo algumas das declarações publicadas.

Paulo Fiorilo, por exemplo, declarou em seu perfil no Twitter: “Chega de discurso de ódio travestido de liberdade de expressão e acobertado por imunidade parlamentar.” 

Teonilio Barba, no Facebook: “Todo apoio à Dom Orlando Brandes!”

Deputada Professora Bebel: “Escrevi, junto dos demais deputados e deputadas do PT Alesp, uma carta para manifestar total repúdio ao deputado estadual Frederico d’Avila e expressar solidariedade ao papa Francisco, ao arcebispo Dom Orlando Brandes e à CNBB.”

Luiz Fernando T Ferreira: “Acabo de representar no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo o deputado Frederico D’Avila. Na representação solicito a cassação de seu mandato com base na quebra de decoro. É inadmissível que um deputado utilize a tribuna da Assembleia para propagar o ódio.”

 

Leia a Moção 

MOÇÃO Nº 315, DE 2021

 

MOÇÃO DE REPÚDIO AO DEPUTADO FREDERICO D’AVILA E DE DESAGRAVO AO PAPA FRANCISCO, AO ARCEBISPO DE APARECIDA, DOM ORLANDO BRANDES, E À CNBB (CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL) PELAS OFENSAS E PELO DANO PROVOCADO PELO DEPUTADO.

Nos últimos tempos, especialmente a partir do processo eleitoral de 2018 que culminou com a eleição de Jair Bolsonaro, brotou uma estarrecedora onda conservadora, preconceituosa e autoritária que fez acender e ascender o ódio e a violência no Brasil.

Não bastasse o negacionismo, as manifestações erigidas por um sem número de sombrios neomonstros defensores de uma sociedade armada e que aja e reaja com retaliação, na forma da lei de talião, contra os que pensam diferente, tem trazido à tona assuntos e opiniões estarrecedoras e de brutalidade ameaçadora contra pessoas e entidades defensoras da paz, do respeito, da igualdade entre as pessoas e da democracia.

Em contraposição a esse fenômeno político e social, quando de seu sermão na principal missa do Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, dia 12 de outubro, o arcebispo de Aparecida-SP, Dom Orlando Brandes, chamou atenção dos fiéis sobre a grave crise econômica, a fome e desemprego que tem abatido nossa sociedade quando disse que “Para ser pátria amada, não pode ser pátria armada” e, ainda, que “Para ser pátria amada, seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira”. O arcebispo de Aparecida também lamentou as mais de 600 mil mortes de brasileiros pela covid-19, e defendeu a vacina a ciência quando disse que “Mãe Aparecida, muito obrigado porque na pandemia a senhora foi consoladora, conselheira, mestra, companheira e guia do povo brasileiro que hoje te agradece de coração porque vacina sim, ciência sim e Nossa Senhora Aparecida junto salvando o povo brasileiro.”

Tomado pelo ódio, na onda da violência desencadeada pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e defendida pelos seus seguidores e simpatizantes, no dia 14 de outubro o deputado estadual Frederico Braun d’Avila, do PSL, produtor rural, vice-presidente da APROSOJA-SP (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de São Paulo) e da APROSOJA-Brasil (Associação dos Produtores de Soja), assessor especial do governador de São Paulo de 2011 a 2013, ex-diretor e conselheiro da Sociedade Rural Brasileira de 2017 a 2020, e a principal liderança do agronegócio paulista a apoiar o candidato Jair Bolsonaro à presidência da República e integrar a equipe de transição de governo para a agricultura, subiu ao púlpito do Plenário Juscelino Kubitschek da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, para desferir graves ofensas, xingamentos e acusações contra o arcebispo do Santuário de Aparecida, Dom Orlando Brandes, contra o Papa Francisco e contra a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

A Bancada de Deputadas e de Deputados do Partido dos Trabalhadores (PT), na Assembleia Legislativa de São Paulo, considera que é inadmissível e inaceitável que um parlamentar faça uso da tribuna de um dos principais parlamentos do país para agredir lideranças religiosas e toda a comunidade católica, seus fiéis, aos que se conectam pela fé, consideração e respeito ao Santo Padre e a Igreja Católica, pelo fato de um dos maiores líderes da Igreja Católica brasileira no momento, o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, ter se utilizado, ao exprimir o seu pensamento durante o ato religioso, de seu livre direito de pensar e de se manifestar em solidariedade ao povo brasileiro por suas agruras e pelo seu sofrimento.

É incontestável que o povo brasileiro tem vivido dissabores, tristezas e sofrimentos diante do crescimento do desemprego, da miséria, da pobreza, da fome, do desrespeito e que, além disso tudo, a sociedade brasileira tem vivido entre sobressaltos e transtornos provocados pelas agressão e sucessivas ofensas, calúnias, difamações e intolerâncias que têm por objetivo intimidar e deslegitimar valores, crenças, princípios e pilares da nossa democracia e do bem estar social.

Diante dessa atitude aterradora que extrapola todas as fronteiras de civilidade e do respeito, além do dano difuso ao bem comum, a Bancada das Deputadas e dos Deputados estaduais do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa de São Paulo, ao reiterar que seguirá lado a lado na defesa e na jornada em prol de um país fraterno, solidário, justo, onde prevaleça o Estado Democrático de Direito, conclama as Deputadas e os Deputados do Parlamento Paulista, assim como o povo paulista de fé ou que comunga de valores solidários e humanitários, para conjuntamente e de forma uníssona, a manifestar total repúdio ao deputado bolsonarista Frederico D’Avila e as suas palavras e, ainda, expressar nossa total solidariedade e irrestrito apoio ao Santo Padre Papa Francisco, ao Arcebispo Dom Orlando Brandes e à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Além de repudiar todas as agressões, ofensas, ameaças e intimidação feitas pelo deputado bolsonarista, a Bancada do PT na Alesp entende que se faz imprescindível e urgente a devida responsabilização do deputado Frederico D’Avila, pela acidez das injúrias, calúnias e difamações carregadas em suas palavras indizíveis, que denotam cristalina quebra de decorro parlamentar, para o que declaramos que envidaremos todos os esforços.

Desta forma, diante da violência cometida pelo deputado Frederico D’Avila contra o Papa Francisco, o Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes e contra a CNBB, formulamos a presente MOÇÃO

“a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo repudia veementemente as ofensas desferidas pelo deputado estadual Frederico D’Ávila contra o Papa Francisco, o Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes e contra a CNBB, em favor de quem manifestamos nosso total respeito e nossa total solidariedade, declarando ainda que as agressões isoladas feitas pelo parlamentar não expressam o pensamento da maioria de parlamentares que constituem esta Casa.”

 

Sala das Sessões, em 19/10/2021.

  1. a) Professora Bebel a) José Américo a) Márcia Lia a) Paulo Fiorilo a) Emidio de Souza a) Luiz Fernando T. Ferreira a) Carlos Giannazi a) Marcos Zerbini a) Dirceu Dalben a) Teonilio Barba a) Marina Helou a) Enio Tatto a) Maurici a) Dr. Jorge do Carmo

 

Reportagem Atualizada em 20/10, às 16h05

 

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