AMEAÇA AO PATRIMÔNIO DO INSTITUTO DE BOTÂNICA
AMEAÇA AO PATRIMÔNIO DO INSTITUTO DE BOTÂNICA

Ameaçados e desprestigiados. É assim que se sentem os pesquisadores do Instituto de Botânica, na defesa do acervo botânico paulista, de uma biblioteca científica com mais de seis mil títulos, de orquídeas e outras importantes espécies nativas da Mata Atlântica. Os profissionais participaram de audiência promovida pela Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão para discutir o Projeto de Lei 183/2019, que autoriza a concessão de uso de parte do Parque Estadual Fontes do Ipiranga, para a exploração do Zoológico de São Paulo, do Zoo Safári, do Jardim Botânico e de atividades de educação ambiental, de recreação, de lazer, de cultura e de ecoturismo.

O Instituto de Botânica foi criado em 1917 e possui, dentro do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, no bairro da Água Funda, na capital, a sua sede, a Reserva Biológica e o Jardim Botânico.

Além da concessão do Instituto Botânico, estão no pacote de vendas do patrimônio público proposto pelo governador o Zoo Safári e o Zoológico. O PL 183/2019 foi enviado à Assembleia Legislativa com regime de urgência, isto é, tem tramitação e votação aceleradas no legislativo o que impede o debate aprofundado da proposta.

Laelia crispa, reprodução do livro Iconografia de Orchidaceas do Brasil, 1949, de Frederico Carlos Hoehne, fundador do Jardim Botânico de São Paulo

O governo pretende conceder estes equipamentos públicos por 80 anos. Segundo representantes dos pesquisadores, o secretário de Meio Ambiente, Marcos Penido, uma vez aprovada a concessão do Instituto Botânico, deverá atender apenas as pesquisas encomendas pelo mercado.

FIM DA MANUTENÇÃO DO PATRIMÔNIO GENÉTICO

“O Orquidário do Estado constituiu-se no marco inicial do Jardim Botânico. Hoje, o local conta com 18 mil plantas, muitas delas ameaçadas de extinção, preservadas por pesquisadores que trabalham no local. O projeto de privatização do Jardim Botânico do governador João Doria não garante a manutenção do patrimônio genético dessas espécies”, destaca a deputada Beth Sahão, coordenadora da frente parlamentar.

Para resistir ao processo de concessão, a comunidade científica, com o apoio de Beth Sahão, decidiu organizar um abraço simbólico ao Instituto de Botânica; realizar visitas de sensibilização aos deputados; apresentar ao Colégio de Líderes dados sobre a situação do Instituto, e articular junto à Comissão de Meio Ambiente questionamentos ao secretário Marcos Penido.

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