Medidas do governo contra coronavírus não protegem população de rua
Medidas do governo contra coronavírus não protegem população de rua

A população em situação de rua é mais uma vez esquecida e abandonada. As medidas anunciadas pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de São Paulo para conter os contágios do coronavírus desprezam as necessidades e as condições específicas desse segmento social.

Preocupada com os riscos a que estão sujeitas as pessoas que moram nas ruas, a bancada do PT na Alesp publicou nota chamando a atenção para a necessidade de as autoridades públicas adotarem medidas especiais de assistência social e de saúde para essa parcela da sociedade.

A nota pondera que os serviços de acolhimento institucional existentes e o encaminhamento de casos com infecção pelo novo coronavírus (COVID-19) não são insuficientes para tratar esta população vulnerável. “Há um grande percentual da população em situação de rua que não tem acesso aos serviços da assistência social, permanecendo totalmente ao relento, cotidianamente, sem acesso nem mesmo ao básico de higiene pessoal, meios para lavar as mãos com frequência e, tampouco, acesso a álcool gel”, adverte.

Em entrevista concedida a Rede Brasil Atual, Edvaldo Gonçalves, coordenador paulista do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR), diz não saber se é pior a pessoa ir para um abrigo ou ficar na rua. “Não adianta ter galpão, sem arejar, com 400 pessoas no mesmo espaço e 50 centímetros de espaço entre as camas, sem condições básicas de higiene.” Ele defende a colocação de divisórias nos espaços, afastamento das camas, isolamento de idosos, ampliação da ventilação e disponibilidade de material de higiene.

Segundo censo da Secretaria de Assistência Social do município de São Paulo, atualmente, existem 24 mil moradores nas ruas da cidade. Desses, pelo menos 2.211 são idosos, com 60 anos ou mais, segmento da população mais vulnerável às infecções de coronavírus. O MNPR estima que cerca de 40% da população de rua tem algum problema de saúde que pode levar a complicações no caso de uma infecção por coronavírus. Tuberculose, má alimentação e más condições de higiene são alguns dos principais problemas apontados pelo movimento.

O padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo da Rua, também faz a avalição de que as medidas adotadas pelos governos municipal e estadual são inacessíveis para essa população. “A doença é para todos, mas a prevenção é para alguns. Como vão higienizar as mãos constantemente, se nem nos centros de acolhida (os CTAs) tem sabão ou álcool gel disponível? Nesses locais você chega a ter 400 pessoas no mesmo espaço, sem ventilação, com condições de higiene precárias”, destacou Lancellotti à Rede Brasil Atual. Ele defendeu a distribuição de máscaras, luvas e álcool gel nos espaços, medidas já adotadas na Missão Belém, espaço da pastoral que acolhe a população de rua.

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *