PROFESSORA BEBEL AMPLIA DEBATE SOBRE UNIVERSIDADES DE SP

A deputada petista Professora Bebel deu início nesta quinta-feira, 23/5,  ao ciclo Universidades em Debate, com a participação de lideranças estudantis, professores, pesquisadores sindicalistas e deputados estaduais, que abordaram os mais diversos ângulos do ensino superior público, celeiro de elaboração e conhecimento social.

O papel da juventude na defesa do ensino público de qualidade e como enfrentar o ataque à autonomia universitária, ao livre pensamento, à produção intelectual e científica foram questões pontuadas por Daniel Freitas, líder do grupo Nossa Voz que coordena o Diretório Central dos Estudantes Livre Alexandre Vanucci Leme, o DCE-Livre da USP.

Para Daniel, as universidades foram eleitas alvo prioritário do governo Bolsonaro pelo fato de serem espaço de diálogo intenso com vários setores da sociedade, que promove e defende valores como democracia e inclusão, além de sua capacidade de atuar como rede que abre vários canais de debate sociais.

LÓGICA PRIVATISTA

A lógica privatista que permeia os discursos e as ações dos governos Bolsonaro e Doria têm como foco fortalecer oligopólios da área da educação, considerou  Raquel Melo de Oliveira, diretora da Associação Nacional de Pós-Graduandos. Na sua avaliação, para enfrentar o abismo social e retomar o desenvolvimento do país é preciso aumentar os investimentos em pesquisas, inovações que tragam desenvoltura e fortalecimento da soberania nacional. A estudante mostrou que, sendo a pós-graduação o setor mais elitizado da sociedade brasileira, o corte às bolsas é um ataque frontal aos que precisam de suporte econômico para continuar pesquisas e estudos. “Sem as bolsas que garantam a presença de setores mais carentes na pós-graduação, a elite vai continuar pensando e dominando a sociedade e perpetuando seu projeto de poder”, enfatizou.

O mesmo roteiro de defesa do papel da universidade como um espaço de criação e reflexão crítica e tecnológica veio do professor João Costa Chaves, atual presidente da Adunesp (Associação dos Docentes da Unesp). A afirmação governamental de que a reforma da Previdência e o corte de recursos no ensino superior são determinantes para retomada da economia faz  parte de uma cena que já se apresentou algumas vezes na história do nosso país, apontou o professor João Costa. “Esta é uma falácia para atacar o conhecimento e reduzir  investimentos sociais”, denunciou.

Para a indagação de como financiar o ensino público e como obter dinheiro, o professor apontou que basta o governo reduzir as isenções fiscais oferecidas para empresas, como fazem os governos do PSDB, sem qualquer compromisso de contrapartida e nem mesmo  garantia da manutenção dos empregos.

A voz destoante na mesa do debate foi a do deputado Daniel José, do partido Novo, que defendeu a meritocracia, a cobrança de mensalidade e o financiamento privado das pesquisas. Essas propostas, no entanto, foram confrontadas pelos dados apresentados por Kalinka Favorin, representante dos estudantes da Unesp. Ela lembrou  que os serviços de lanchonetes e restaurantes nas universidades já são privatizadas, que doações já ocorrem e que abrir as universidades para segmentos privados encomendarem pesquisas também é algo que já ocorre em alguma medida, por meio das fundações, num negócio nebuloso, conforme relatou o professor Rodrigo Ricúpero, presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP).

A falta de transparência e controle nas isenções pautou a intervenção do representante da Adusp que fez um paralelo entre os governos Doria e Bolsonaro. Enquanto o atual presidente ataca frontalmente, com perseguição ideológica e corte de verbas, o governador utiliza-se do espaço público para atender interesses privados.

DEBATES CONTINUAM

De acordo com Ricúpero, a reitoria da USP, junto com o governo Doria, tem projeto fundamentalmente privatista no sentido de favorecer os interesses privados dentro das universidades e citou o Projeto USP do Futuro que valoriza as áreas que despertam mais interesses do setor empresarial. Outra revelação significativa trazida por Ricúpero é a relação promiscua que há entre agentes que atuam no governo Doria. De acordo com o professor, a pessoa responsável pela instituição do Projeto USP do Futuro, Patrícia Helen, hoje ocupa o cargo de secretária do Desenvolvimento Econômico. A teia de relações obscuras se configura também com o responsável pelo projeto, professor Américo Sakamoto, que é secretário adjunto de Patrícia Helen.

O debate, a análise e a coleta de dados e informações sobre a realidade das universidades públicas estaduais terão seguimento com novas audiências que serão realizadas nos campis das universidades, como anunciou a deputada Professora Bebel que preside a Comissão de Educação e Cultura na Assembleia Legislativa e é a integrante petista na CPI das Universidades.

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