Vacina para quem mora na periferia e usa transporte coletivo de massa

Pesquisa realizada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) e divulgada na quarta-feira, 26/5, mostra que o maior número de mortes por covid-19 na cidade de São Paulo concentra-se nas suas periferias. No entanto, os bairros periféricos da capital têm as menores taxas de vacinação contra o coronavírus.

O estudo vem referendar outra pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que apontava relação direta entre número de viagens por meio de transporte público de massa e maior incidência de casos de contágios e mortes por covid, e que deu base para  projeto de lei apresentada pelo deputado Enio Tatto (PT) para incluir os usuários de transporte público de massa e moradores das regiões mais adensadas no grupo prioritário do Plano Estadual de Imunização de São Paulo contra covid-19.

O PL 243/2021 foi apresentado à Assembleia Legislativa em abril e espera parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação. É urgente que o PL seja discutido e votado pois, apesar de o governo do Estado reconhecer que a pandemia atinge as diferentes partes das cidades de forma desigual, essa leitura ainda não resultou numa estratégia territorializada para conter a disseminação da covid.

A proposta de lei do deputado Enio Tatto define como usuários do transporte público coletivo de massa aqueles que utilizam ônibus municipais e intermunicipais, trem, metrô, balsa e demais meios de transporte público coletivo de massa. E destaca que o usuário pode ser identificado por meio do bilhete eletrônico, que permite o acesso e a utilização diária do transporte público.

Estudos

Os dados da pesquisa da FAU/USP apontam que os bairros mais ricos, como Jardim Paulista, Saúde e Moema, têm mais de 12%Plano Estadual de Imunização da população vacinada com duas doses e tiveram taxas de mortalidade inferiores a 20 óbitos a cada 10 mil habitantes, ao longo da pandemia. Já bairros periféricos, como Brasilândia, Perus, Cidade Tiradentes e Grajaú, tiveram taxa acima de 50 mortes a cada 10 mil moradores. Nesses distritos, a imunização com duas doses atinge apenas de 5% a 7,5% da população.

Os autores da pesquisa informam que desde os primeiros meses da pandemia, diversas leituras produzidas inclusive pelo governo, imprensa e organizações da sociedade civil apontaram para a desigualdade na distribuição de hospitalizações e óbitos por Covid-19, com uma maior concentração de casos em bairros periféricos, apontando inclusive a precariedade da moradia. Porém, apontam que essas preocupações não repercutiram em uma estratégia territorializada para conter a disseminação da doença.

O estudo completo pode ser acessado no Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade), laboratório de pesquisa e extensão da FAU/USP.

Da assessoria do deputado Enio Tatto.

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